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BeiraNews | Setembro 17, 2019

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Reeditados os livros “Rosto precário” e “Matéria solar” de Eugénio de Andrade

José Lagiosa

Os livros “Rosto precário” e “Matéria solar”, de Eugénio de Andrade (1923-2005) foram reeditados, prefaciados respetivamente, por Joana Matos Frias e Manuel Rodrigues, no âmbito do projeto de reedição da Obra Completa de Eugénio de Andrade, iniciado em 2012.

“Rosto precário” foi publicado pela primeira vez em 1979 e reúne uma série de excertos de entrevistas concedidas pelo autor a diversas personalidades.

No prefácio, Joana Matos Frias, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, salienta que a obra foi editada originalmente num “ano determinante para poesia moderna e contemporânea portuguesa”, em que foi editado, entre outros, “Círculo aberto”, de António ramos Rosa, “Photomaton & Vox”, de Herberto Hélder, “A ignorância da morte” de António Osório, e o livro de estreia de Miguel Nava, “Película”.

A terminar escreve: “Ecce Poeta, parece dizer cada texto. Eis o Poeta: fiel ao homem, à Terra, à Palavra e ao seu Rosto. Nada efémero, nada precário”.

“Matéria solar” foi editado originalmente em 1980. No prefácio, sobre o livro, Manuel Rodrigues afirma: “Discreto arredio dos palcos sociais, mas humanamente fiel e afim ao devir da natureza, mãe de efémeras metamorfoses; sem transcendências, dogmas ou mitos moralizadores, Eugénio de Andrade é um exemplo excecional, ‘clássico’ portanto, da melhor figura do criador — e esta obra, em pequeno livro, é disso uma muito feliz demonstração”.

O investigador Manuel Rodrigues faz as contas e afirma que este “é um pequeno livro de 50 poemas de cerca de 2.000 palavras” e realça que alguns poemas tinha já sido publicados na imprensa, nomeadamente nos jornais de Notícias e do Fundão, mas a maioria deles era inédita.

O catedrático da literatura da Universidade do Porto, Arnaldo Saraiva, realçou numa entrevista á Lusa, que Eugénio de Andrade “celebrou a vida de forma sempre empenhada, mas com profunda consciência da fragilidade da vida”.

Eugénio de Andrade começou a escrever nos anos 1940 e “só parou quando a doença o atacou forte”, três anos antes de morrer, no dia 13 de junho de 2005, recordou Saraiva.

Eugénio de Andrade, pseudónimo literário de José Fontinhas, recebeu diversas distinções, entre as quais os prémios da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), D. Dinis da Fundação Casa de Mateus (1988), camões (2001) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001).

Em julho de 1982 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e em fevereiro de 1989 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.

*Com Lusa

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