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BeiraNews | Setembro 15, 2019

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Maria João deslocou-se a Lisboa para dizer que “basta de precariedade”

Maria João deslocou-se a Lisboa para dizer que “basta de precariedade”
José Lagiosa

Maria João, de 27 anos e formada em Educação Social, trabalha há quatro anos num ‘call center’, no Porto, com um salário base de 330 euros mensais. Esteve ontem em Lisboa para dizer “basta de precariedade”.

Algumas centenas de pessoas de todo o país – e sobretudo jovens – juntaram-se no sábado na Praça da Figueira, um dos largos mais emblemáticos de Lisboa, para participarem no protesto nacional ‘Juventude em marcha – trabalho com direitos, contra a precariedade e a exploração’, organizado pela Interjovem/CGTP-IN.

Estes jovens que saíram ontem à rua ou têm trabalho e são precários, como é o caso de Maria João Antunes, ou estão desempregados e não conseguem emprego, como Ricardo Martins.

Aos 27 anos, Maria João resumiu à Lusa as suas condições laborais: “Trabalho há quatro anos num ‘call center’, ainda estou a termo (…) Estou num regime de ‘part time’, ganho 330 euros de salário base, que é uma miséria, e sou licenciada em Educação Social”, conta esta jovem portuense.

Mas, apesar da situação precária, Maria João Antunes não perde a esperança e diz que “é importante os jovens participarem na política e nas decisões e serem ouvidos” dizer que “não conseguem suportar isto”, lamentando, no entanto, que “o dinheiro vá para outros lados”, como a banca ou os casos de corrupção, “enquanto os jovens ou emigram ou ficam aqui a ganhar salários mesmo muito baixos”.

Maria João considera que tal é “insustentável e tem mesmo de mudar”, tal como Ricardo Martins, um jovem de 21 anos natural de Faro, que terminou a licenciatura em Ciências da Comunicação em 2014 e que continua à procura do primeiro emprego.

Para este antigo aluno da Universidade do Algarve, “é quase uma obrigação” participar na marcha da Interjovem, “tendo em conta a falta de oportunidades de emprego e de emprego com direitos e bem pago”.

Para Ricardo Martins, esta luta tem de se fazer no país e emigrar está fora de questão: “Não é fácil aqui, mas também não vejo como solução a emigração. Ao contrário do que nos querem fazer, acho que temos de ficar aqui e exigir trabalho como deve ser e trabalho para todos”, defende.

A marcha que se fez ontem entre a Praça da Figueira e o Largo Camões não contou apenas com jovens: Pedro Miguel, um metalúrgico de 42 anos e que trabalha em Leiria, juntou-se às gerações mais novas para “tentar combater estas políticas que não têm futuro”, e Fernando Costa, operário químico de 38 que veio de Famalicão, diz que está a lutar pelo também pelo futuro dos filhos que ainda não tem.

A procura por um futuro melhor, para si e para a filha, é também a razão que levou Gabriela Gonçalves, uma trabalhadora de 35 anos, a sair de Castelo Branco para estar na marcha da Interjovem em Lisboa.

“Estou aqui a lutar por mim e pelos meus direitos e a lutar por um futuro para a minha filha, que está aqui ao meu lado. Temo que ela não tenha futuro, que chegue à idade do trabalho e que tenha de emigrar, como aconteceu à minha irmã”, conta, recordando que, no interior do país, é ainda mais complicado conseguir um trabalho digno.

Gabriela fala da “história das portagens” que afastaram daquela região do país as empresas, que “não estão para continuar a pagar as portagens e a investir no interior, o que é uma pena”.

*Com Lusa

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