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BeiraNews | Setembro 16, 2019

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Eugénio Lisboa aponta riscos da “incontinência verbal” da crítica literária portuguesa

Eugénio Lisboa aponta riscos da “incontinência verbal” da crítica literária portuguesa
José Lagiosa

O ensaísta e crítico literário Eugénio Lisboa disse hoje, em Castelo Branco, que vê, na crítica literária nacional, uma certa “incontinência verbal”, que valoriza excessivamente os autores, em termos que são perigosos para o próprio louvado.

“Vejo, da parte da crítica literária, uma certa incontinência verbal, quer dizer, valoriza-se muitas vezes, excessivamente e em termos que são perigosos para o próprio louvado”, disse o escritor à agência Lusa.

Eugénio Lisboa deslocou-se a Castelo Branco para receber o Grande Prémio de Literatura Biográfica, numa cerimónia que decorreu na biblioteca municipal local.

A obra “Acta Est Fabula – Memórias I – Lourenço Marques (1930-1947)” foi distinguida com este galardão, dotado de 5.000 euros e que tem o patrocínio exclusivo da Câmara de Castelo Branco.

O escritor e ensaísta português referiu que há uma dificuldade da crítica nacional em manter “uma certa frieza e contenção, que a crítica literária deve ter.”

“Agarrar num autor e colocá-lo nos ‘cornos da lua’ muito cedo, acho que é um ato extremamente danificante, a curto prazo, para esse autor”, disse.

Eugénio Lisboa adiantou ainda que “a nossa crítica devia ser mais cautelosa, mais objetiva e mais cuidadosa” e deu como exemplo a crítica inglesa: “Nesse aspeto, [os ingleses] são um exemplo, raramente perdem a cabeça mesmo com o génio”.

Sobre o galardão que lhe foi atribuído, o escritor disse tratar-se de um prémio que tem o estatuto que têm os prémios.

“Neste caso, sendo dado por uma instituição séria e prestigiada como a Associação Portuguesa de Escritores [APE], é um prémio que se deve louvar e acarinhar”, e que o deixa feliz.

“O prémio é da APE e gentilmente financiado pela Câmara de Castelo Branco, o que é um exemplo bonito. Ver autarquias interessadas no valor da promoção cultural é de louvar e de seguir”, concluiu.

O presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, explicou que existe esta parceria com a APE, que muito honra o município.

Biblioteca Castelo Branco

Biblioteca Castelo Branco

“É um incentivo para a cultura e serve para promover exemplos que sirvam também de incentivo em Castelo Branco. É esta a nossa aposta”, disse.

O autarca explicou ainda que pretende continuar a apoiar os autores a nível nacional, mas também os locais.

“Brevemente vamos apresentar o nosso festival literário. É mais uma forma de promover a literatura no nosso concelho”, concluiu.

José Manuel Mendes, presidente da APE, explicou que o prémio atribuído a Eugénio Lisboa é dedicado à literatura biográfica e que foi instituído com a Câmara de Castelo Branco.

“Visa distinguir anualmente alguém que, por uma concreta obra publicada, venha a ser escolhido por júris que a APE nomeia”, referiu.

No ano em curso, o júri, que “deliberou por unanimidade” a escolha da obra de Eugénio Lisboa, foi constituído por José Correia Tavares, que presidiu, António Cândido Franco, Isabel Cristina Rodrigues e Teresa Martins Marques.

Segundo a APE, apresentaram-se a concurso 44 obras de escritores portugueses, publicadas por 26 editoras nos domínios da biografia e autobiografia, de memórias e diários.

*Com Lusa

 

 

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