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BeiraNews | Janeiro 25, 2020

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‘Contact centers’ querem ser reconhecidos como atividade económica independente

‘Contact centers’ querem ser reconhecidos como atividade económica independente
José Lagiosa

O secretário-geral da Associação Portuguesa de ‘Contact Centers’ (APCC), Francisco Cesário, considera essencial que esta atividade seja reconhecida pelas autoridades como uma atividade económica independente.

“A atividade dos ‘contact centers’ necessita de ser reconhecida como uma atividade económica independente, desagregada das atividades de informação e comunicação como é neste momento considerada pelo Banco de Portugal, pois é muito diferente das restantes”, indicou este responsável em entrevista à Lusa.

De acordo com o secretário-geral da associação, o facto de os ‘contact centers’ estarem no setor das atividades de informação e comunicação da central de contas do Banco de Portugal – setor que inclui também as empresas de comunicação social e de tecnologias de informação – cria “grandes dificuldades” quando se tenta avaliar qual o peso desta atividade na economia portuguesa.

Francisco Cesário adianta que a APCC dispõe de alguns números relativos à atividade que representa, como resultado de alguns estudos que tem vindo a fazer, mas neste momento desconhece, por exemplo, qual o volume de negócios gerado pelas empresas que operam nesta área e qual o peso destas na economia portuguesa.

A associação tem atualmente um total de 49 empresas associadas pertencentes a 12 diferentes setores de atividade, entre os quais a banca, as telecomunicações, os seguros e os correios, que representam mais de 90% das empresas deste setor em Portugal.

Quanto ao número de trabalhadores, a APCC estima que totalizam entre 40.000 a 50.000 por todo o país, mas especialmente concentrados “em Lisboa e no Porto”, cidades onde se situa o maior número de empresas, indicou o mesmo responsável.

No entanto, segundo Francisco Cesário, é também em Lisboa e no Porto que “é maior a dificuldade das empresas em atrair e manter trabalhadores nesta área”, uma vez que “as ofertas para profissionais com baixas qualificações são muitas”.

Desta forma, a rotatividade de trabalhadores é mais elevada do que em cidades de média dimensão, como Covilhã ou Castelo Branco, onde a existência de um ‘contact center’ “é relevante, em termos sociais, para os jovens que procuram trabalho”.

Por outro lado, quando procuram uma cidade mais pequena para a criação de um novo ‘contact center’, as empresas do setor preferem localidades onde existam universidades ou politécnicos, porque muitas vezes os estudantes procuram aí trabalho em tempo parcial (‘part-time’), referiu o mesmo responsável. “Muitos estudantes preferem trabalhar apenas aos fins-de-semana”, exemplificou.

Segundo Francisco Cesário, a questão dos recursos humanos está ligada à necessidade de criar cursos técnico-profissionais específicos para uma carreira neste setor, outra das ambições da associação. “Para isso é importante que a carreira de operador de ‘contact-center’ seja autonomizada na classificação de atividades económicas, é que atualmente estes trabalhadores são considerados apenas como telefonistas”, sublinhou, acrescentando que essa “poderá ser uma forma de dignificar o setor e ajudar a elevar os níveis de remuneração praticados pelas empresas”.

Por outro lado, Portugal é atualmente considerado “um país muito atrativo” para a instalação de novos ‘contact centers’ por empresas multinacionais, lembrou o mesmo responsável, exemplificando com o anúncio, feito em janeiro, sobre a instalação de um ‘contact center’, em Vieira do Minho, pela Altice, empresa que vai comprar a PT Portugal.

“Temos das melhores infraestruturas tecnológicas a nível internacional, empresas portuguesas reconhecidas em tecnologias nesta área e recursos humanos com excelentes capacidades de adaptação, desde logo na parte linguística”, destacou Francisco Cesário.

Pelo contrário, na Irlanda, um dos principais concorrentes de Portugal na captação de investimento estrangeiro neste setor, os trabalhadores “costumam falar apenas inglês”.

Já na Roménia, outro país que é um grande concorrente nesta área, o governo colocou em prática um plano específico para atrair empresas de ‘contact center’. Francisco Cesário avisa que “deveria ser feito um plano semelhante também em Portugal”.

Este deverá ser um dos temas a debater na conferência internacional da APCC, que se realiza no próximo dia 14 de maio, em Lisboa, na altura em que a associação celebra 11 anos desde que foi criada.

*Com Lusa

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