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BeiraNews | Dezembro 9, 2019

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Homenagem a Argentina Santos em abril inaugura linguagem gestual em espetáculos de fados

José Lagiosa

A homenagem à fadista Argentina Santos, no dia 11 de abril no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, será o primeiro espetáculo de fado com recurso à linguagem gestual, disse hoje à Lusa fonte da organização.

A homenagem, uma iniciativa da Parreirinha de Alfama, casa à frente da qual Argentina Santos esteve mais de meio século, insere-se no projeto “Há fado no cais”, uma iniciativa do Museu do Fado e do CCB, e conta com a participação, entre outros, dos fadistas Maria Armanda, Rodrigo e Ricardo Ribeiro.

“Uma homenagem que se justifica pela forma como Argentina Santos marcou o meio fadista, uma voz à qual muitos se referiram, e justamente, como um pregão de Lisboa”, disse à Lusa o guitarrista Paulo Valentim, que com o violista Bruno Costa, está, desde o ano passado, à frente da Parreirinha de Alfama.

O elenco, justificou o músico, “é constituído por alguns dos muitos nomes que Argentina Santos, que estará presente, gosta de ouvir, incluindo fadistas que, atualmente, atuam n’A Parreirinha, como por exemplo Sérgio Silva e Joana Veiga”.

O espetáculo intitula-se “Gosto da Parreirinha. Homenagem a Argentina Santos”, e completam o cartaz da noite Raquel Tavares, que é do bairro de Alfama, Marco Rodrigues, Jorge Fernando, que tantas vezes atuou com Argentina Santos no estrangeiro, Pedro Moutinho e Sara Correia.

Os fadistas serão acompanhados por José Manuel Neto, na guitarra portuguesa, José Elmiro Nunes, na viola, e Didi, na viola baixo, e todos interpretarão um fado do repertório de Argentina Santos, segundo a mesma fonte.

A carreira de Argentina Santos, de 91 anos, e a história da Parreirinha, que começou por ser uma taberna onde acontecia fado, confundem-se.

A fadista esteve à frente da casa de fados desde 1950 até princípios deste século, tendo-se tornado “uma referência gastronómica e do fado tradicional, por onde passaram algumas das melhores vozes como Celeste Rodrigues, Berta Cardoso, Alfredo Marceneiro, Fernanda Maria, Mariana Silva, Beatriz da Conceição, Lucília do Carmo, António Mourão, Maria da Fé, entre outras”, disse Paulo Valentim, acrescentando que “esta é linha que atualmente se segue, servindo a excelente gastronomia portuguesa, e apresentando fado, com algumas vozes de referência, como Maria Amélia Proença”.

Em 2010, Museu do Fado escreveu que, ao confinar grande parte do seu percurso à Parreirinha de Alfama, Argentina Santos “fez também da sua casa uma autêntica oficina de fados, cenário de afetos e palco da cumplicidade criativa de poetas, músicos e fadistas”.

Em 2003, na 52.ª Grande Noite de Fado, a Parreirinha de Alfama recebeu o Prémio Casa de Fado da Casa de Imprensa.

Referindo-se à criadora de “Chico da Mouraria”, o Museu do Fado assevera: “o seu fado tem a força de um pregão e a contenção de uma prece. Neles se combinam autenticidade humana e artística em perfeita simbiose. Destemido, o fado de Argentina Santos não conhece subterfúgios ou cedências. Basta-lhe ser autêntico”.

Data de 2002 o seu mais recente disco, editado pela CNM, e em 2009 participou no álbum de Filipa Cardoso, com quem gravou “Fado da Herança”. Nesse ano Argentina Santos sofreu um AVC, o que a levou a afastar-se dos palcos.

A criadora de “Vida vivida” recebeu, em 2005, o Prémio Amália Carreira, sendo patrona da Academia do Fado em Racanati, na Itália, que ela própria inaugurou.

A fadista recebeu em 2013 a comenda da Ordem do Infante e, no dia 02 de julho de 2010, numa homenagem no Teatro Municipal S. Luiz, recebeu a Medalha de Ouro da cidade de Lisboa.

*Com Lusa

 

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