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BeiraNews | Fevereiro 22, 2020

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Câmara de Vila Real avança com plano de salvaguarda do barro preto de Bisalhães

José Lagiosa

Câmara de Vila Real avança este ano com o plano de salvaguarda da olaria preta de Bisalhães que prevê investir 450 mil euros para apoio aos oleiros, cursos para atrair novos artesãos e introdução do tema nas escolas.

Este plano será implementado até 2020 e está inserido na candidatura da olaria negra de Bisalhães à lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO, que já foi formalizada pelo município.

“Esta candidatura impôs-nos alguns objetivos e o principal deste plano de salvaguarda é impedir o desaparecimento da confeção da louça preta de Bisalhães. Estamos a apostar principalmente na transmissão do conhecimento tendo como foco principal os nossos oleiros”, afirmou hoje à agência Lusa a vereadora Eugénia Almeida.

O processo de confeção da olaria de Bisalhães remonta, pelo menos, ao século XVI.

As peças que nascem pelas mãos destes oleiros são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra da aldeia de Bisalhães, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.

O principal problema desta atividade é o envelhecimento dos oleiros. São poucos e quase todos de idade avançada.

“Os oleiros são o principal canal da nossa missão e daquilo que pretendemos. Claro que não descuramos a necessidade de captar novos praticamente para esta arte”, salientou Eugénia Almeida.

E “para salvar” a olaria de Bisalhães o município avança já este ano com o apoio aos oleiros. Para o efeito vai ser requalificado o espaço onde se localizam os seus postos de venda, numa das entradas da cidade, e vai ser ainda implementada uma ajuda para o transporte do barro, que atualmente tem de ser comprado em Chaves.

Depois, segundo destacou a vereadora, serão também realizados cursos de formação profissional para novos artesãos e vai-se propor às escolas a inclusão no projeto educativo das escolas básicas e secundárias de Vila Real de temáticas relacionadas com o barro preto.

Serão ainda realizadas ações de divulgação e sensibilização da comunidade para realçar a “importância da continuidade futura desta tradição”.

Eugénia Almeida acredita que esta é uma atividade rentável e que se poderá revelar uma oportunidade de emprego para desempregados ou jovens licenciados.

Para ajudar, o município vai sinalizar as oficinas e fornos dos oleiros, na aldeia de Bisalhães, para que estejam acessíveis à visitação, reforçar a divulgação turística, vai ainda avançar com o processo de certificação da louça preta para uso alimentar, e reforçar a animação e divulgação da Festa de São Pedro, tradicionalmente dedicada à olaria.

O município quer ainda criar uma espécie de mostruário com as principais peças de todos os oleiros, vai organizar novas exposições itinerantes e reformular a página da internet que já existe sobre a olaria de Bisalhães.

Para a implementação destas medidas, a câmara conta com o apoio de parceiros como a junta de freguesia, Associação Empresarial Nervir e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que será convidada a avançar com investigações sobre o barro negro.

“A UTAD pode desenvolver novas linhas de investigação que nos ajudem a preservar e até modernizar esta arte e, ao mesmo tempo, pode trazer novas pessoas para trabalhar connosco e criar emprego”, salientou a vereadora.

A Câmara prevê investir cerca de 450 mil euros até 2020 para a implementação do plano de salvaguarda.

O resultado final da candidatura à UNESCO deverá ser anunciado em novembro de 2016.

*Com Lusa

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