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BeiraNews | Fevereiro 23, 2020

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Jovem altera paradigma de vida e cria comunidade em Vila Velha de Ródão

Jovem altera paradigma de vida e cria comunidade em Vila Velha de Ródão
José Lagiosa

Há dois anos, Frederico Abreu, um jovem de Lisboa que trabalhou 18 anos na grande distribuição, alterou o seu paradigma de vida e criou uma comunidade em Vila Velha de Ródão que pretende ser autónoma em termos alimentares e energéticos.

“É um Estado dentro do próprio Estado”, diz à agência Lusa Frederico Abreu, com um sorriso.

Natural de Lisboa, onde trabalhou durante 18 anos na grande distribuição e onde posteriormente foi sócio de uma empresa de desporto aventura, o jovem acabou por perder todo o seu dinheiro.

“A partir daí, decidi que não ia regressar ao meu paradigma anterior. Criei um novo paradigma, uma ética e uma carta de princípios e comecei à procura de um terreno, porque a minha nova forma de pensar a vida passava por um projeto rural”, explica.

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Frederico Abreu

 

Hoje, cerca de 30 pessoas trabalham no Vale da Sarvinda, em pleno Parque Natural do Tejo Internacional, no concelho de Vila Velha de Ródão.

A carta de princípios de Frederico Abreu faz lei na comunidade, onde os pagamentos do trabalho são feitos de lua nova em lua nova e onde se trabalha de acordo com o calendário solar, ou seja, de sol a sol.

Frederico Abreu foi para Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, um pouco ao acaso e depois de ter percorrido praticamente o país todo em busca da almejada terra.

“Demorei cinco anos à procura de terra porque queria fazer um arrendamento com opção de compra. Já estava desesperado. Corri o país todo, do Douro ao Algarve e cheguei aqui através de uma amiga”, adiantou.

O primeiro negócio foi com uma parcela de 40 hectares, um terreno alugado com opção de compra.

Hoje, a comunidade possui no Vale da Servinda 180 hectares que ao longo dos últimos dois anos se juntaram à parcela inicial.

O projeto do ponto de vista financeiro envolve um investimento de dois milhões de euros e está baseado em 20 candidaturas ao Proder no âmbito da agricultura e turismo rural.

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“Aliviámos o primeiro impacto do arrendamento e colocámos 20 projetos no Proder que serviram de alavanca do ponto de vista do investimento. A partir daqui vamos entrar na nossa sustentabilidade”, refere Frederico Abreu.

Neste momento, a comunidade está a construir um parque de campismo, cuja abertura deve acontecer já neste verão.

As casas são todas construídas com o recurso a técnicas ancestrais e outras inovadoras, desenvolvidas pela própria comunidade. Os materiais utilizados são o barro, palha e a madeira.

O parque de campismo das sete luas irá ter um restaurante vegetariano e vai servir tal como todo o projeto agrícola da herdade para tornar a comunidade independente e autónoma.

Frederico Abreu explica que ao nível agrícola foram criadas dentro da própria exploração áreas de alguma dimensão para que haja durante todo o ano produção e diversidade de produtos.

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“É um projeto agrícola pouco convencional, que recorre à agricultura biodinâmica. Um dos aspetos importantes é a diversidade onde se conseguem encontrar equilíbrios naturais que a própria natureza nos oferece”, sublinha.

Nos 180 hectares do Vale da Sarvinda há culturas de verão, inverno, primavera e outono. Tudo isto, para haver uma atividade anual contínua e evitar picos de mão-de-obra.

“Isto é muito importante para as pessoas, porque assim consigo ter menos trabalhadores, mas durante mais tempo. O objetivo é fixar as pessoas à terra e criar a ideia de se viver como na quinta antiga, onde as pessoas viviam e trabalhavam no mesmo sítio”, explica.

Frederico Abreu chegou a Vila Velha de Ródão em condições muito precárias: “Não tínhamos casa, água, eletricidade nem ferramentas elétricas. Começámos a fazer uma casa com a ajuda dos vizinhos”, recorda.

Com 500 euros no bolso, o dinheiro serviu para construir o telhado e a casa de banho seca foi feita com paletes em madeira.

“O começo foi do zero. Apanhámos 60 graus ao sol durante o verão, íamos buscar água para beber, cozinhar e para lavar a 30 quilómetros. As pessoas achavam um pouco estranho”, conclui.

*Com Lusa

 

Comentários

  1. Mª CLara Soares Menezes

    Vinte projectos do Proder em nome de três sócios, únicos donos da Sarvinda e que usam os trabalhadores de forma abusiva fazendo-lhes crer que fazem parte duma “Cooperativa”.
    Mais um esquema fraudulento, considerado um golpe de génio, e que vai acabar mal no dia em que a sua contabilidade seja fiscalizada por alguém que não seja da zona, tanto das Finanças como do próprio PRODER.

  2. Rúben Mendes

    30°ao sol*

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