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BeiraNews | Novembro 22, 2019

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Maior exposição de sempre da artista Cristina Rodrigues no Mosteiro de Alcobaça

Maior exposição de sempre da artista Cristina Rodrigues no Mosteiro de Alcobaça
José Lagiosa

Oito grandes instalações contemporâneas de Cristina Rodrigues vão estar patentes no Mosteiro de Alcobaça, de 18 de abril a 31 de agosto, quando “O Céu Desce à Terra”, na maior mostra de sempre da artista.

A exposição, que está a ser preparada há dois anos, vai ocupar “todo o mosteiro [de Santa Maria de Alcobaça], desde o dormitório dos monges, à cozinha e, até, pela primeira vez, à igreja”, afirmou Cristina Rodrigues à agência Lusa.

Intitulada “O Céu Desce à Terra”, a mostra, que abre portas no próximo dia 18 e integra as comemorações dos 25 anos do mosteiro como Património da Humanidade, é composta por “oito instalações de arte contemporânea, de grande escala”, três das quais são obras inéditas.

É o caso de “Os Amantes”, centenas de corações de porcelana, desenhados pela artista e fabricados numa cerâmica do concelho para serem vistos na cozinha do mosteiro.

A peça conta a “história do mais famoso par romântico português” – Pedro e Inês -, mostrando como “são carnívoras as relações humanas”, mas também como se encontra “beleza na adversidade”.

O retrato da sociedade portuguesa contemporânea faz-se, nesta exposição, com “Deserto”, uma instalação de 22 cadeiras da coleção particular da artista, decoradas com têxteis.

“Cada cadeira tem o nome de uma mulher e retrata uma geração perdida no tempo, a quem tem sido sucessivamente negada a possibilidade de construir a geração seguinte”, explicou.

“As Vinhas da Ira”, uma escultura que mostra “as gerações de jovens portugueses que se veem obrigados a emigrar para outros países”, é outra das instalações criadas para esta exposição.

A par estarão obras já expostas em vários países do mundo, como “A Capela”, “A Rainha”, “Enlightnment” e “A Manta”, na versão “ouro e prata” (produzida em parceria com mulheres de Idanha-a-Nova) e na versão “Amarantina” (feita em colaboração com tecedeiras da aldeia de Fridão, em Amarante).

A manta de adufes, que, no ano passado, levou a cultura portuguesa à catedral de Manchester, em Inglaterra, onde a autora reside e trabalha em temporadas alternadas, com permanências em Idanha-a–Nova (onde tem também um atelier), adotará, em Alcobaça, as cores da cidade, adornada com “10 mil flores em azul-cobalto e branco, feitas em papel de seda”.

Já a manta Amarantina contribuiu para a “recuperação de 200 teares que estavam inativos” e envolveu 26 tecedeiras de Fridão, que recuperaram a tradição.

“Enlightnment”, um conjunto gigantesco de lustres, seis dos quais vão estar instalados no refeitório dos monges, mostrarão, por seu lado, “o trabalho de serralheiros artesãos, retomando uma prática quase extinta”, sublinha a artista, que envolveu na produção da exposição “duas fábricas e mais de 100 pessoas”.

Assumindo-se “politicamente interventiva” através da sua obra, Cristina Rodrigues não esconde “o orgulho de contribuir, do ponto de vista social”, para o reconhecimento interno e externo do país cuja cultura já expôs em países como Reino Unido, Alemanha, Espanha e República Checa, entre outros.

A preparar novos projetos para expor na Índia e em Sevilha, Espanha, a artista assume que, por cá, depois de, no final de 2013, ter exposto no Mosteiro dos Jerónimos “O Meu País Através dos Teus Olhos”, encontra no Mosteiro de Alcobaça o “espaço de sonho” para mais uma exposição que poderá ser visitada até 31 de agosto.

*Com Lusa

 

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