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BeiraNews | Dezembro 9, 2019

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2 Comentários

Aos domingos… hoje com Joana Amaral Dias

José Lagiosa

Este país é para bancos?

Imagine que trabalhou 40 anos (ou pense nos 40 anos que trabalhou). Durante todo esse tempo, todos os meses, pagou as suas contribuições à Segurança Social. Sem descontos, sem cartões ou promoções, sem resgates – 40 anos de trabalho e de descontos. Quem diz 40 diz 36 ou 42. É uma vida.

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Joana Amaral Dias

Esses descontos fazem parte do contrato que temos com o Estado: nós contribuímos para um sistema público, universal e solidário de Segurança Social. Contribuímos para que, caso nós ou os outros fiquemos doentes, exista uma prestação que substitua o salário e permita (sobre) viver. Para que, quando temos um filho, exista uma prestação que permita exercer os direitos de maternidade e paternidade. Para que, quando se chega a uma determinada idade e se quer descansar (sim, descansar), exista uma prestação mensal que o garanta com dignidade.

Para Passos Coelho as leis devem ter o «visto familiar». Paulo Portas fez  campanhas a falar dos seus «ricos velhinhos» mas, quando chega a hora H, raspas. Mais de 80% dos reformados e aposentados vive com pensões abaixo do salário mínimo nacional (as mulheres são ainda mais castigadas e as suas pensões são 30% mais baixas) e a redução do poder de compra dos reformados chega a 30%. E é esta a política que António Costa promete continuar.

Em que estudos se baseiam para falar da ameaça à sustentabilidade da Segurança Social? Não aparecem. Quando o governo precisa de dinheiro, onde vai buscar? À segurança social, que tem sido um dos mealheiros do regime. As auto-estradas, a justiça ou a marinha são mais sustentáveis do que a segurança social? Claro que não. E o limite máximo das pensões, quem beneficia? Bom, quem descontou sempre sobre o seu salário- e o seu salário era bom – espera receber uma pensão correspondente ao que descontou, certo? Mas o que PSD, CDS e PS querem é que haja um limite, o que fará com que as contribuições sejam menores e que o restante seja descontado em fundos privados de pensões. Mais do mesmo: transferir do público para o privado. E se o privado falir, como aconteceu nos EUA? PS, PSD e CDS-PP também convergem na diminuição da taxa social única. Só que se esquecem que as cotizações pagas pelas entidades patronais em Portugal estão muito abaixo da média da UE e, evidentemente, não é isso que justifica a falta competitividade das nossas empresas.

Vejamos: o que realmente ameaça a segurança social é a constante mudança das regras, a instabilidade e, claro, o desemprego. A turbulência tem que ser estancada – o governo não pode rescindir unilateralmente o contrato com quem trabalhou toda a vida e espera, legitimamente, uma certa reforma, enquanto mantêm todos os contratos milionários das PPP’s, dos swaps, etc. Não pode achar que honrar os compromissos é só com os muito ricos e que pode resgatar seis bancos em seis anos enquanto os nossos velhos são cuspidos para a miséria. Quanto ao desemprego e à diminuição dos descontos é simples – em vez de continuarmos com os salários de fome que temos no nosso país, aumentem-se os vencimentos, nomeadamente o salário mínimo. Assim se aumentarão os descontos e se assegurará não só a sustentabilidade da segurança social, mas também a justiça social. Enfim, política é opções. Portanto, há sempre, mas sempre, outra possibilidade, um caminho diferente, alguma alternativa, uma solução. Não pode é ser bar aberto para os bancos e morte súbita para os nossos velhos. Basta.

*Joana Amaral Dias – AGIR

 

Comentários

  1. Neste parâmetro, só é cego, quem não quer ver!
    O que mais lamento nisto tudo é que são sempre os mesmos a pagar a factura dos devaneios destes desgovernos, que reinam à custa do futebol, com uma comunicação social conivente, que ao invés de desmascarar os ladrões, pactua com eles, incrementando e sustentando o aumento da ignorância dos cidadãos, para que estes não atrapalhem as decisões dos malfeitores que empobrecem as suas vidas.

    Vou partilhar este comunicado!

    • Obrigado Edite Rodrigues pelo seu comentário. Estamos aqui para dar notícia mas é sempre estimulante ver o nosso trabalho reconhecido. Bem haja!

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