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BeiraNews | Dezembro 8, 2019

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Arte urbana ‘Lata 65’ ensinada a idosos em Portugal ganha destaque no estrangeiro

Arte urbana ‘Lata 65’ ensinada a idosos em Portugal ganha destaque no estrangeiro
José Lagiosa

Os workshops de arte urbana ‘Lata 65’, destinados a idosos, ganharam destaque na imprensa estrangeira nas últimas duas semanas, com a organização a receber pedidos para serem ‘exportados’, sendo o Brasil o primeiro destino do projeto.

Lara Seixo Rodrigues, mentora do Lata 65, uma iniciativa que ensina idosos a fazer ‘graffitis’ (arte urbana), explicou, em declarações à Lusa, que o reconhecimento internacional do projeto que nasceu em 2012, e já passou um pouco por todo o país, é “muito satisfatório”.

“Nas últimas duas semanas o projeto teve uma projeção estrondosa. Apanhei mais de 200 notícias em países como Marrocos, Vietnam, Rússia, Turquia ou Bulgária, ou seja, de todo o mundo, e realmente fico muito contente pois a imagem que queríamos passar é que este grupo, esta faixa etária, tem a mesma curiosidade pela arte urbana e que é possível motivá-los a criar algo de novo, as pessoas estão a perceber isso no mundo inteiro”, explicou Lara Rodrigues.

Devido à projeção internacional do projeto, Lara Seixo Rodrigues avançou que já teve pedidos para ‘exportar’ o Lata 65, sendo o Brasil um destino em que será replicado ainda este ano.

“Há imensa gente a perguntar como se faz a metodologia, que não é assim tão específica. Já nos pediram para saber como se faz, já nos pediram para ir ao Brasil [e a outros sítios]. Queremos é que este projeto seja replicado porque, a cada ‘workshop’ que fazemos, vemos os benefícios que ele traz não só a nós que o damos, mas sobretudo aos idosos”, sublinhou, não escondendo o orgulho que sente.

No projeto português em que participam pessoas com idades a partir dos 65 anos e cuja média vai variando entre os 74 anos ou mais – no último participou um ‘jovem’ de 93 – deverá ultrapassar este verão os 100 ‘artistas’, dado estarem já agendados workshops para o Festival Aldeias Artísticas, nas aldeias da União das Freguesias do Freixial e Juncal do Campo, em Castelo Branco.

Para a mentora do projeto, o Lata 65 foi um desafio de fazer algo “que nunca tinha sido feito a nível mundial. O colocar pessoas com uma certa idade a pintar na rua, saber o interesse que podiam ter ou não por uma atividade”.

Lara Seixo Rodrigues lembra ainda as questões de saúde que acompanham esta faixa etária, pois algumas pessoas já têm problemas de articulações e a organização não sabia se podiam fazer tudo, confessando que desde o primeiro dia foram surpreendidos.

Lara Seixo Rodrigues recordou à Lusa que o projeto nasceu de um desafio de um colega que trabalhava consigo no espaço de Cowork Lisboa, na Lx Factory, e, em 15 dias montaram um projeto que “nunca tinha sido feito a nível mundial”, com reconhecidos “benefícios para os idosos”.

Desde o primeiro dia Lara Seixo Rodrigues conta com a ajuda do artista urbano Adres, que à semelhança de outros artistas urbanos ficaram “super admirados com as reações” que tiveram.

“Nunca ninguém tinha ensinado idosos, foi uma experiência superpositiva e enriquecedora. O artista que hoje me acompanha na formação dos ‘workshops’, e que vem desde a primeira ação, continua a estar motivado e somos surpreendidos diariamente. Foi, inclusivamente, pelo encorajamento dele que uma das nossas alunas do primeiro ‘workshop’ continuou a pintar pelas ruas até hoje e nos acompanha nas formações que damos”, contou.

Apesar de tudo, Lara Seixo Rodrigues reconhece que não consegue agradar a todos os artistas urbanos, mas que “a grande maioria adora a ideia”.

Graças ao facto do Lata 65 ter vencido o Orçamento Participativo de Lisboa 2013, na categoria de projetos até 150 mil euros, o projeto pode ser expandido a outras zonas de Lisboa e do país, tendo inclusive estado no ano passado nos Açores.

O Lata 654 assume-se, entre outros objetivos, como um projeto que tem como intenção aproximar os menos jovens a uma forma de expressão habitualmente associada aos mais novos, bem como provar que conceitos como envelhecimento ativo e solidariedade entre gerações fazem a cada dia mais sentido.

*Com Lusa

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