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BeiraNews | Dezembro 18, 2018

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Livraria Lello, ex-líbris do Porto, cobra entradas a partir de quinta-feira

Livraria Lello, ex-líbris do Porto, cobra entradas a partir de quinta-feira
José Lagiosa

A Livraria Lello, ex-líbris do Porto que é considerada uma das mais bonitas do mundo pela imprensa internacional, vai passar a cobrar entradas aos visitantes a partir de quinta-feira, sendo o valor dedutível na compra de livros.

Com esta decisão, a Lello pretende voltar a ser reconhecida como livraria e não apenas como um espaço turístico, que diariamente recebe até cinco mil turistas, adiantou à Lusa fonte da livraria.

Assim, a partir de quinta-feira a Lello disponibiliza um ‘voucher’ de entrada com um custo de três euros para visitantes ocasionais e de dez euros para clientes regulares, valores que são dedutíveis na compra de qualquer livro.

O ‘voucher’ para clientes regulares – cartão de cliente “Amigo da Lello” – é válido por um ano e extensível a quatro membros de uma família.

“E há livros que custam três euros”, garantiu a fonte, adiantando que grupos de visitantes ocasionais poderão “juntar os seus vouchers para adquirir uma das muitas edições que a Lello oferece”.

Quem decidir entrar apenas para ver e conhecer o espaço, terá que “encarar o custo de três euros como um contributo à livraria”, disse.

Os ‘vouchers’ poderão ser comprados mesmo em frente à livraria, na rua dos Carmelitas, na “Shelter”, a escultura vermelha habitável da criadora Gabriela Gomes que foi inaugurada no âmbito da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura.

Com este novo modelo, e a seis meses de comemorar um século de existência, a Lello pretende entrar numa nova fase da sua vida, acreditando que vai voltar “a ter espaço e tempo para [que os clientes possam] entrar, ver, sentir e estar na livraria”.

Este novo dia da vida da Lello será marcado com um programa diferente, estando a livraria “de portas abertas”, entre as 10:00 e as 00:00, cheia de animação, como ‘ballet’, teatro e música.

As filas diárias à porta da Lello registam-se a toda a hora e são fruto da visibilidade mundial que a livraria ganhou ao longo dos últimos anos.

Turistas das mais diversas nacionalidades concentram-se diariamente à porta da Lello de máquinas fotográficas em punho, esperando pela hora de entrar naquele espaço, cuja escadaria vermelha serviu de inspiração a J.K. Rowling ao cenário da saga Harry Potter e onde as ‘selfies’ se transformam num ‘best seller’.

Em 2008, o jornal inglês The Guardian considerou a Lello a terceira livraria mais bela do mundo e três anos depois, no seu guia Lonely Planet’s Best in Travel 2011, a editora de viagens considerou-a também a terceira melhor livraria do mundo, descrevendo-a como “uma pérola de arte nova”.

O espaço foi também destacado pela revista Travel+Leisure, que a colocou no topo da lista das 15 livrarias mundiais mais “cool”, bem como pela revista Time e pelo canal de televisão norte-americano CNN, que classificou-a mesmo como a livraria mais bonita do mundo.

Por cá, em setembro de 2013 o Governo classificou como monumento de interesse público este espaço, “considerado ex-líbris do Porto e um autêntico santuário das artes editoriais e livreiras”.

Na portaria publicada em Diário da República, na qual se estabelece também uma zona especial de proteção ao monumento, o espaço é apresentado como “um dos mais importantes edifícios da arquitetura eclética portuguesa, integrando marcenarias e vitrais sem paralelo no país”.

Destaca também os “arcos em ogiva” que existem no seu interior e que se apoiam “em pilares esculpidos com bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, sob baldaquinos rendilhados”.

“Ao seu valor arquitetónico e artístico acresce a importância cultural que tem assumido de forma contínua ao longo do tempo, bem como o seu excelente estado de conservação, a autenticidade e exemplaridade da estrutura e da decoração, e a merecida fama internacional de que desfruta”, lê-se ainda na portaria, assinada pelo secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

*Com Lusa

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