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BeiraNews | Abril 10, 2020

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Aos domingos… hoje com Joana Amaral Dias

Aos domingos… hoje com Joana Amaral Dias
José Lagiosa

DEMOS-CRACIA

E pronto, a comunicação social decidiu que este ano só há jogos entre o Benfica, o Porto e o Sporting. Pois é. Leu bem. As televisões e rádios decidiram que nesta época só passam disputas entre os que venceram na época passada. Tudo o resto, desde o Braga ao Tondela, já para não falar do Gil Vicente ou da Académica não passa. Pois, você até gostava de ver um jogo entre o  Benfica e o Estoril, o Porto-Guimarães ou um Belenenses -Sporting, não era? Ah, pois era. Mas não vai dar. Este ano vê Benfica-Porto (e vice versa); Porto-Sporting ou Benfica-Sporting e está com sorte.

Joana Amaral Dias

Joana Amaral Dias

Enfim, isto até teria piada se fosse mentira e, sobretudo, se não tivesse acontecido com uma coisa tão nuclear para tudo- do desporto à pesca, da medicina à educação- como a nossa democracia. Esta decisão da comunicação social em fazer debates apenas com os que já foram eleitos no passado consiste num claro assumir da defesa do bloco central e na perpetuação do status quo. É profundamente anti-democrática. Sim, já se sabe que o planeta está enxameado de gente que enche e bate no peito para jurar o seu liberalismo mas, quando chega a hora da concorrência, de aceitar os desafiadores do poder instituído ou, se quiserem, o dito “mercado livre”, está quieto. Sim, é verdade que concorrem muitos partidos nestas legislativas, as mais importantes desde o 25 de Abril, o que faz com que debates com a presença de todos sejam impossíveis. Mas existiam outras soluções, nomeadamente, sortear debates com 4 elementos, por exemplo. E esses, estou certa,  com alguns Davids e Golias pelo meio, até teriam muito mais audiências do que o formato estafado do Sr. Feliz e o Sr. Contente. O que não é solução para uma democracia muito doente, comatosa mesmo, é a comunicação social ditar já quem é que é vencedor procurando que, afinal, o povo deixe de ser soberano. Terrível.

***

Já o lastro de destruição que este governo deixou no país é, sobretudo, marcado por dois rasgões: o aumento do desemprego e a destruição de emprego de qualidade. Ao contrário do que grita o executivo, as atuais estatísticas do desemprego são um embuste: não contam os “inativos desencorajados” (quem não está empregado mas deixou de procurar ativamente), os  desempregados em “programas ocupacionais” e o subemprego. Aliás, o próprio FMI diz que a taxa real de desemprego em Portugal anda à volta dos 20%. Como se não bastasse, as pessoas desempregadas estão cada vez mais desprotegidas. A maioria não recebe subsídio de desemprego e o seu valor caiu em média 50 euros por pessoa. Depois, o pouco emprego criado corresponde a mais precariedade e menos salário. Um exemplo desta miséria que compromete gerações e gerações  hipotecando todo o futuro do país, são os contratos emprego-inserção e os estágios emprego, que são escravatura (sim, isso mesmo escravatura patrocinada pelo Estado) e financiamento estatal a empresas, respectivamente.  Acrescente-se a este cenário o emprego parcial e/ou temporário e o verdadeiro objectivo da austeridade está à vista: empobrecer os povos e quebrar-lhes a espinha. Chega?

*Joana Amaral Dias, AGIR

 

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