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BeiraNews | Janeiro 29, 2020

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Volta a Portugal: ‘Jackpot’ galego na Torre

Volta a Portugal: ‘Jackpot’ galego na Torre
José Lagiosa

Delio Fernández e Gustavo Veloso provaram hoje que são melhores juntos, fazendo primeiro e segundo na etapa da Torre, numa sétima etapa sem história, que deixou Alejandro Marque perto do pódio da 77.ª Volta a Portugal em bicicleta.

Esperava-se muito do regresso da vertente das Penhas da Saúde na subida à Torre, mas hoje, mais do que nunca nas últimas edições da prova rainha do calendário nacional, a expressão ‘a montanha pariu um rato’ fez todo o sentido: a W52-Quinta da Lixa escolheu a estratégia perfeita, Fernández ganhou, Veloso fez segundo e aumentou a diferença para os rivais e Alejandro Marque (Efapel) ficou a um contrarrelógio de assegurar um pódio final 100 por cento galego.

“Preferimos manter-nos todos juntos do que responder aos ataques”, revelou Veloso, de 35 anos, referindo-se à única tentativa digna desse nome, protagonizada por Rui Sousa (Rádio Popular-Boavista) e Joni Brandão (Efapel), nos quase 20 quilómetros da subida que terminou a 1.970 metros de altitude, bem perto do topo da Serra da Estrela, numa contagem de categoria especial.

Era o dia do tudo ou nada para os trepadores e para todos aqueles que ainda aspiravam chegar à amarela e eles assumiram a sua missão com empenho na parte final dos 171,3 quilómetros entre Condeixa-a-Nova e a Torre, depois de anuladas as ‘insignificantes’ fugas da sétima etapa, que só serviram para confirmar que, salvo algum azar, Bruno Silva (LA-Antarte) vai chegar com a camisola da montanha a Lisboa, no domingo.

No empedrado da Covilhã, que assinalava o início dos 19,7 quilómetros a subir até ao ponto mais alto de Portugal continental pela vertente mais dura, a das Penhas da Saúde, atacou Joni Brandão (Efapel), o terceiro da geral, levando na roda Amaro Antunes (LA-Antunes), o homem que o sucedia na classificação e que ‘estourou’ de imediato com o esforço (perdeu 02.33 minutos e caiu para 12.º), e Virgílio Santos, o veterano da Rádio Popular-Boavista, que serviu de ‘gancho’ para Rui Sousa.

Fora dos dez primeiros, o vice-campeão de 2014 precisava de um ataque longínquo para anular as diferenças para o camisola amarela e, a 17 quilómetros do topo de categoria especial, saltou do grupo de favoritos para se juntar aos dois homens da frente, perseguidos em bloco pela W52-Quinta da Lixa, que colocou seis representantes no grupo de 12 que seguiu os três fugitivos a uma distância nunca superior a 40 segundos.

Já com o veterano Virgílio Santos afastado da frente de corrida, Sousa puxou muito, Brandão nem tanto, mas o ritmo compassado, calculista, da equipa do camisola amarela não deu hipótese a ninguém: a 600 metros da meta, o duo foi absorvido e Fernández recebeu a ‘bênção’ de Veloso para arrancar e lutar pelo seu segundo triunfo na 77.ª Volta a Portugal.

“Recordo-me da minha primeira participação na Volta [em 2008, com a Xacobeo-Galicia]. Cheguei com meia hora de atraso à Torre. Nunca pensei que podia chegar em primeiro aqui acima”, confessou o número dois da W52, que cumpriu a tirada em 04:42.00 horas, à frente do seu líder e amigo, que foi creditado com o mesmo tempo.

Terceiro na etapa, a quatro segundos dos dois galegos, Joni Brandão foi o grande derrotado do dia. O português da Efapel segurou o terceiro lugar da geral, estando a 57 segundos de Veloso e a 43 de Fernández, mas tem o seu companheiro Alejandro Marque, quinto na etapa, a 31 segundos, uma margem demasiado pequena tendo em conta que o espanhol é um exímio contrarrelogista e até já venceu um ‘crono’ semelhante ao que se vai disputar no sábado.

Arredados da luta pelo pódio ficaram Rui Sousa (Rádio Popular-Boavista), quinto a 02.11 minutos, Hernâni Broco (LA-Antarte), décimo a 03.03, e, sobretudo, Ricardo Vilela (Caja Rural) e o último vencedor português, Ricardo Mestre (Team Tavira), afundados, respetivamente, na 20.ª e 21.ª posições da geral.

Na sexta-feira, Gustavo Veloso ficará 180,2 quilómetros mais perto de revalidar o título, depois de cumprida a oitava etapa, uma ligação entre a Guarda e Castelo Branco sem dificuldades.

*Com Ana Marques Gonçalves, da agência Lusa

 

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