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BeiraNews | Novembro 22, 2019

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Aos domingos… hoje com Fernando Serrasqueiro

Aos domingos… hoje com Fernando Serrasqueiro
José Lagiosa

O aproximar da campanha

O desenrolar da pré-campanha, já aponta qual o rumo que irá ser seguido nos próximos tempos, permitindo descortinar as linhas de força de cada partido.

Fernando Serrasqueiro

Fernando Serrasqueiro

1 – A coligação governamental foi desafiando António Costa a     apresentar propostas para poder conhecer o seu programa. Pensar-se-ia que iriam ser postas em confronto com as suas. Debalde. A coligação amedrontou-se com as suas primeiras propostas e face a um programa bem fundamentado do PS, recusa-se a mostrar o seu jogo para o futuro, ficando-se pelas críticas aos socialistas, como se a campanha não fosse a análise dos últimos 4 anos e a avaliação do projeto futuro.

2 – Temas tão importantes como a sustentabilidade da segurança social, política fiscal, ou ainda, privatizações, são matérias confidenciais, o que permite desconfiar do que se pretende e sobretudo pensar que a política de austeridade vai continuar.

3 – O discurso da coligação de direita é redutor e simples. Centra-se numa leitura crítica do governo anterior, mascara os dados obtidos nesta governação e quanto ao futuro nada diz, mas subentende-se mais do mesmo, cortes nos rendimentos ou pensões, privatizações, concessões de serviços públicos (saúde, educação e até segurança social), entre outros.

4 – Uma novidade surge da parte do PC e BE, tratando-se da manifestada disponibilidade para um futuro governo. Se a consequência deste aviso é a mesma para ambos, há uma nuance nas condições. O BE exclui o PS de um acordo futuro, o que se presume que prefere um governo PC/BE, para o qual não se vislumbra suporte para que possa acontecer. Quanto ao PC está disponível para uma coligação com o PS, desde que este aceite o seu programa, no que diz respeito à renegociação da dívida, mesmo sem os credores aceitarem; saída do Euro e posterior saída da União Europeia e apoio às nacionalizações. Daí o poder-se concluir que nenhum destes partidos está interessado numa coligação, que obviamente implicaria a saída da sua zona de conforto que é o espaço da sua revindicação.

5 – Se a questão da governabilidade à esquerda é algo que vem de longe, prova-se que só pode ser ultrapassada com uma maioria absoluta do PS, como em 2005. A solução está, portanto, no voto útil, porque só assim é possível confrontar a direita, com uma maior alternativa. A dúvida reside no facto de se uma certa esquerda não quer mesmo um governo de direita, na expectativa que isso possa engrossar as suas colunas. E este problema é ainda agravado por, atualmente, surgirem novas formações, que nos fazem lembrar o período revolucionário do pós Abril e, que tem vindo a acontecer em outros países, em que novos partidos surgiram e surgem como cogumelos. Portugal, não é um dos Países, onde este fenómeno se verifica mais, pois a esquerda atual, não dá grande espaço para o seu aparecimento.

Em suma, para contrariar, de forma aritmética, a possibilidade de ser novamente eleito um governo de direita é necessário criar à volta do PS, uma plataforma que permita criar a expectativa de uma real alternativa.

*Fernando Serrasqueiro, Deputado do Partido Socialista

 

 

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