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BeiraNews | Maio 27, 2020

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Livro conta história de 100 maçons e republicanos oriundos do Vale do Zêzere

José Lagiosa

Um livro sobre a Maçonaria no Vale do Zêzere conta a vida de 100 portugueses que defenderam os ideais da liberdade, da igualdade e da fraternidade, alguns de armas na mão na revolução republicana de 1910.

“Alguns estiveram desde as primeiras horas nas trincheiras da Rotunda, em Lisboa, onde podíamos ver, de espingarda na mão, arriscando a sua vida, comerciantes, industriais e proprietários, a par de professores, jornalistas, farmacêuticos, empregados de comércio, funcionários públicos e tantos outros dignos profissionais”, disse hoje à agência Lusa um dos autores, Aires Henriques, economista reformado.

Capa do livro

Capa do livro

Com prefácio do historiador António Ventura, a obra “Maçons de pedra e cal – A Maçonaria ao Vale do Zêzere” terá várias sessões de apresentação, no primeiro trimestre deste ano, ainda por marcar, na sede do Grande Oriente Lusitano, em Lisboa, e em cada um dos quatro concelhos abrangidos pelo estudo: Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Sertã, nos distritos de Leiria e Castelo Branco.

“Muitos desses combatentes emergiam das estruturas carbonárias, em ascenso desde 1907, enquanto outros não desistiam de expressar o seu ímpeto revolucionário enfileirando com irmãos saídos das mais importantes lojas maçónicas da capital”, como a “Acácia”, a “Liberdade” e a “Montanha”, afirmou Aires Henriques, dono do Museu da República e Maçonaria, em Pedrógão Grande, que concebeu o livro em coautoria com Nuno Soares, assistente técnico na Biblioteca Municipal desta vila.

Numa região “marcada pelo acentuado analfabetismo, conservadorismo e pobreza das suas gentes, surpreende o número de cidadãos que se encontram militando em ambientes marcadamente maçónicos e republicanos, quer erguendo oficinas a nível local, quer contribuindo para o avanço e progresso da sociedade em geral”, adiantou.

Por sua vez, Nuno Soares disse à Lusa que a sua adesão ao projeto de investigação proposto por Aires Henriques foi imediata.

“As histórias de alguns antepassados despertavam-me a curiosidade”, declarou, dando o exemplo de um tio da sua avó materna, António Jacinto David, um dos mais de 100 maçons retratados no livro.

A obra “Maçons de pedra e cal”, com 590 páginas, permite “desmistificar um pouco o que é a Maçonaria”, disse Nuno Soares, realçando que “existem ainda muitas teorias da conspiração e muitos preconceitos” sobre o papel dos ”pedreiros-livres” na sociedade, que, na sua opinião, visam “construir um mundo melhor”.

Aires Henriques salientou que alguns dos maçons estudados promoveram e apoiaram “áreas tão importantes como o ensino popular, a cooperação, o mutualismo e a ação humanitária” em Portugal.

“Entre esses inúmeros cidadãos, sublinhamos sobremodo José Joaquim da Silva Graça, diretor e proprietário do jornal ‘O Século’, o professor de Medicina Fernando Bissaya-Barreto, que na sua mocidade integrou a Carbonária coimbrã, ou Aquiles Eugénio Lopes de Almeida, avô do conhecido maestro António Victorino de Almeida”, acrescentou.

O investigador mencionou ainda o major Neutel de Abreu, “fundador da cidade de Nampula”, em Moçambique, e o comerciante Manuel Martins Cardoso, a quem, no dia 05 de outubro de 1910, “coube a distribuição de armas aos civis envolvidos na revolução” republicana.

Os estudos regionais e locais permitem “uma visão mais correta e rigorosa do todo nacional”, incluindo na história da Maçonaria, cujas fontes “são escassas”, refere António Ventura no prefácio.

 

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