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BeiraNews | Fevereiro 25, 2020

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A impunidade no partidarismo decadente

José Lagiosa

Há muito que se vem a falar das fichas falsas no Partido Socialista de Coimbra.

Após demoradas investigações, o Ministério Público concluiu que existiam inúmeras inscrições provenientes de fichas com dados falsificados, o que constitui, por si só, crime.

Apesar de já ter recebido a respectiva notificação, segundo dizem as notícias, a sede nacional do PS continua sem tomar uma decisão quanto ao que vai fazer, escudando-se no facto de o processo interno estar na alçada da Comissão Nacional de Jurisdição do partido.

É do conhecimento público que o partido de António Costa está em processo de eleições para as federações distritais, pelo que é de estranhar que o mesmo avance em Coimbra sem que haja uma clarificação, leia-se limpeza, nos cadernos eleitorais.

O PS habituou-nos, nos últimos tempos, a práticas que embora eticamente reprováveis, não violavam lei alguma. Agora passou-se a não assumir a ilegalidade investigada e confirmada pelas instâncias a quem compete tal acção.

Já não é só uma questão ética, passou a ser uma negação de evidências e o pactuar com atos ilegais e democraticamente reprováveis.

A questão é, no entanto, mais preocupante. Ao longo dos anos, muitos casos similares foram denunciados mas nunca verdadeiramente investigados não só no PS mas também no PSD.

Até hoje este será, porventura, a primeira vez que se investigou com vontade de investigar e se chegaram a conclusões que indiciam crime que, sob o ponto de vista jurídico mas também democrático, são graves.

Afinal os partidos da área do poder são veículos onde as práticas habituais do vale tudo, imperam e onde a legalidade só é válida para os outros.

O caso de Coimbra não é seguramente o único. Outros haverá menos mediáticos, menos expostos ou até silenciados, mas igualmente antidemocráticos, ilegais e a necessitarem de investigação.

É imperativo começar a expurgar os partidos destas práticas. A democracia não é compatível com elas.

Depois não se admirem do alheamento dos cidadãos do fenómeno político e partidário.

A não ser isso mesmo que se pretende…

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