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BeiraNews | Dezembro 11, 2019

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Especialistas contra revogação da portaria que permite a caça no sul da serra da Malcata

José Lagiosa

Especialistas mostraram-se hoje contra a revogação da portaria que interditava a caça na zona sul da serra da Malcata, no concelho de Penamacor, classificando a decisão como um “ato criminoso” ou destinado a “satisfazer os interesses” do setor da caça.

O Ministério do Ambiente revogou este mês a portaria, em vigor há quase 23 anos, que impedia a caça na zona sul da Reserva Natural da Serra da Malcata (a norte sempre foi permitida).

A medida sido contestada por associações ambientalistas e por partidos como o PAN, Os Verdes e o Bloco de Esquerda e defendida pela tutela e pelo município de Penamacor, que apontam “vantagens inequívocas” da gestão cinegética.

“A Reserva Natural da Serra da Malcata é uma das joias da coroa. Quando interferimos nesta joia da coroa, temos de ter muito cuidado. Já caçamos em muitos sítios, não vamos caçar nesta zona. É criminoso, do ponto de vista ecológico, intervir com aquele ecossistema. Deixem a serra da Malcata em paz”, apelou o biólogo e professor universitário Luís Vicente, no parlamento, durante uma audição pública sobre o regime cinegético promovida pelo PAN.

Segundo o professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, “todas as espécies que existem no ecossistema” da reserva natural serão afetadas e sofrerão os efeitos da “pressão da caça”, o que já está a “estragar muitas zonas do país”.

Raúl Santos, também biólogo, partilha destas preocupações e aponta pressões do setor da caça para esta alteração.

“Há uma clara cedência aos lóbis da caça e uma enorme preocupação com o que se está a passar. Não percebemos porque é que a anterior portaria foi substituía por uma com três linhas que diz apenas que é permitido caçar. Quais as razões técnico-científicas que estão por detrás desta portaria e da revogação da anterior?” questionou.

O especialista disse “não ficar descansado” com as declarações do ministro do Ambiente, que explicou que só haverá caça ao javali e não a outros animais, e deixou um alerta para a caça furtiva que, no seu entender, “vai certamente existir”.

O biólogo Carlos Teixeira, que também marcou presença na iniciativa organizada pelo partido PAN – Pessoas-Animais-Pessoas, também defende que “não está devidamente justificada a mudança desta portaria” e critica o momento em que foi tomada a decisão.

“Esta portaria surgiu com um ‘timing’ que nos levou a suspeitar dela: no momento em que este Governo está praticamente a iniciar funções. Revelador de alguma pressão, que provém da autarquia e das organizações do setor da caça. Há o interesse de explorar alguns tipos de caça, nomeadamente a caça ao javali”, defendeu.

Num comunicado enviado anteriormente, o PAN já havia considerado um “crime desastroso contra a natureza” a eventual decisão de voltar a permitir a prática da caça na zona sul da Reserva Natural da Serra da Malcata.

Hoje, o deputado eleito pelo PAN para a Assembleia da República, André Silva, voltou a pedir ao Governo explicações “políticas” mas sobretudo “científicas” que fundamentem a revogação da portaria.

“Essa resposta tem de ser dada, para que todos possam dar a sua opinião da forma mais correta e idónea”, afirmou André Silva no final da iniciativa.

*Com Lusa

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