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BeiraNews | Abril 7, 2020

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Meia centena de empresas defendem o têxtil ‘Made in Portugal’ em Paris

Meia centena de empresas defendem o têxtil ‘Made in Portugal’ em Paris
José Lagiosa

Cinquenta e oito empresas e entidades portuguesas estão presentes na Feira Première Vision, na região de Paris, uma feira para profissionais de moda, que decorre entre hoje e quinta-feira no Parque de Exposições Paris Nord Villepinte.

Dos tecidos, aos fios e acessórios, passando pelas malhas, couros e o vestuário, os produtos ‘Made in Portugal” não faltam.

Esta é “uma das feiras incontornáveis” do setor, de acordo com Paulo Vaz, diretor-geral da Associação Têxtil de Vestuário de Portugal (ATP), que apoia 24 empresas através da Associação Seletiva Moda, o “braço armado para a internacionalização” da ATP no âmbito do projeto “From Portugal”.

“Esta é uma das chamadas feiras de plataforma neste setor à escala global. Esta é a feira dos tecidos, das matérias-primas, das matérias intermediárias, dos serviços e das tendências”, explicou Paulo Vaz à Lusa, sublinhando a importância das empresas lusas estarem presentes ou “passarem” pela feira.

Paulo Vaz destacou que “em termos coletivos, o setor vive um momento particularmente feliz e mais distendido”, justificando que “desde há quatro anos” há um “crescimento sustentado das exportações”.

“No ano passado, crescemos 4,7% face ao ano transato, mas já tínhamos crescido cerca de 38% desde 2009, que foi o ano mais difícil destas duas últimas décadas sob o ponto de vista da conjuntura (…) No ano passado, felizmente, ultrapassámos os 4,8 mil milhões de euros [de exportações], foi o melhor ano dos últimos 13 e estamos a aproximar-nos muito rapidamente do recorde absoluto que são os cinco mil milhões de euros que foi atingido em 2001”, descreveu.

O diretor-geral da ATP sublinhou que o setor está a chegar a este recorde “com metade das empresas e metade dos trabalhadores” de então, o que mostra uma mudança de “drives” [vetores] de um “setor que está hoje alicerçado em empresas focadas no valor acrescentado, na inovação tecnológica, no serviço, nas coleções, na criatividade porque é a única maneira de fazer a diferença e escapar à concorrência que é o preço”.

Paulo Melo, presidente da divisão de fios do grupo Somelos e vice-presidente da ATP, afirmou à Lusa que “as empresas e os empresários não têm estado parados”, destacando o seu contributo “para as próprias empresas e para o próprio país” e “uma força e uma dinâmica que não existe na Europa neste momento”, apelando, por isso, ao Governo para que ajude com “estabilidade fiscal e empresarial”.

“Esperamos que Portugal e o Governo – aquilo que está para além das empresas – consigam estar ao nível da capacidade industrial dos empresários porque bem precisamos (…) As empresas e os empresários precisam de estabilidade, precisam de uma visão de futuro, não podem viver com ‘hoje faz-se e amanhã desfaz-se’. Os empresários têm que ter estabilidade quer ao nível fiscal e empresarial”, afirmou.

Pela primeira vez na Première Vision está a empresa Marfel, de Felgueiras, especialista na confeção de camisas e com elevadas expetativas face ao evento.

“A expetativa é dar a conhecer a nossa marca Marfel, fazer contactos e ver clientes que já temos. Queremos aumentar o leque de clientes e atingir novos mercados. Sabemos que é uma das maiores feiras do mundo e que todos os clientes passam por cá”, justificou António Guedes à Lusa, administrador da empresa com 70 anos de existência e 240 funcionários.

A apresentar a coleção Primavera/Verão 2017 está a empresa de tecidos Fitecom, da Covilhã, presente na feira “há vários anos”, de acordo com o administrador João Carvalho.

“As expetativas, basicamente, são a consolidação de mercados e o lançamento de produtos novos. Efetivamente, nós na Europa temos algum peso significativo no mundo dos lanifícios. Daquilo que produzimos, exportamos cerca de 95 a 98% e, de facto, esta é uma feira crucial para nós”, descreveu.

Antigo professor do ensino superior na área têxtil, João Carvalho afirmou que a empresa “nasceu em plena crise têxtil”, em 1993, e que os seus colegas o tomaram “por um tipo louco” por se lançar nessa aventura, mas que a empresa nunca parou de crescer, com um crescimento anual de 30% nos primeiros anos e atualmente um crescimento médio anual na ordem dos 10%.

Esta tarde, o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Oliveira, visitou as empresas portuguesas presentes na Première Vision, tendo levado “uma mensagem de reconhecimento pelo trabalho que têm feito, pela resistência que tiveram em relação à crise, pela capacidade de inovação que tiveram e pelo investimento que fizeram em tecnologia e ‘design’”.

*Com Lusa

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