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BeiraNews | Dezembro 14, 2019

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Penamacor diz que reintrodução do lince na Malcata faz justiça ao território

José Lagiosa

O presidente da Câmara de Penamacor congratulou-se hoje com o anúncio do Governo relativo à elaboração de um plano para a reintrodução do lince na Serra da Malcata e considerou que está a fazer-se justiça àquele território.

“Lamentavelmente, no ano transato, a Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM) foi excluída do pacto para a libertação do lince em Portugal e com esta tomada de decisão do Ministério do Ambiente está a repor-se a justiça para este território”, afirmou António Luís Beites em declarações à agência Lusa.

O ministro do Ambiente anunciou hoje que a tutela está a preparar um plano para a reintrodução do lince na Serra da Malcata e que pretende apresentar uma candidatura ao POSEUR [programa operacional sustentabilidade e eficiência no uso de recursos] com esse objetivo.

“A expectativa de sucesso que temos é de em três, quatro, cinco anos podermos ter condições para que o lince possa voltar à Serra da Malcata”, referiu à agência Lusa João Matos Fernandes, sublinhando que a existência de alimento, ou seja de coelho bravo, é fundamental para a decisão de libertar linces.

Lembrando que o programa LIFE, que tem financiado a reintrodução do lince na Península Ibérica, diz que tem de haver no mínimo dois coelhos bravos por hectare, o governante explicou que a densidade de coelho bravo na Serra da Malcata está ainda muito abaixo desse requisito, pelo que “não há quaisquer condições para hoje poder reintroduzir o lince na Serra da Malcata”.

O plano hoje anunciado visa alterar essa realidade e é, por isso mesmo, visto com bons olhos pelo autarca de Penamacor, que o classificou como “uma notícia muito positiva”.

“Podemos mesmo dizer que é uma notícia reconfortante porque sempre nos batemos no sentido de que fosse criado o habitat propício para que o lince aqui pudesse ser reintroduzido. Portanto, hoje, só podemos estar satisfeitos”, afirmou.

António Luís Beites referiu que a autarquia “está claramente disponível para ser parceira nesta candidatura, caso tal seja considerado uma mais-valia”.

Reiterou ainda que, “ao contrário do que nos últimos dias se tentou fazer crer em determinados setores”, a introdução da caça grossa na zona sul da RNSM – cuja gestão ficará a cargo do município – não colocará em causa esses planos, bem pelo contrário.

“Já disse e repito: são processos complementares e que nem nunca deveriam ter sido dissociados, já que está comprovado que a gestão cinegética (e que no caso só visa a caça grossa) pode contribuir para a preservação de espécies presa como o coelho, o que, por seu turno, permitirá criar as condições ideais para que o lince possa voltar àquele que sempre foi, até à quase extinção, o seu habitat natural”, fundamentou.

O autarca voltou a citar o exemplo do Vale do Guadiana, zona de caça ordenada em que o lince tem estado a ser reintroduzido com êxito.

De resto, segundo acrescentou, a zona de caça na RNSM terá “regras muito bem definidas”, visará essencialmente a caça ao javali e não a animais como o coelho ou a perdiz e serão mantidas zonas de total interdição, tal como prevê o plano de ordenamento.

A revogação da portaria que proibia a caça na zona sul da RNSM (a norte sempre foi permitida) tem sido amplamente contestada pelos ambientalistas, bem como por partidos como o PAN, os Verdes e o Bloco de Esquerda e defendida pela tutela e pela autarquia, que apontam “vantagens inequívocas” da gestão cinegética.

*Com Lusa

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