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BeiraNews | Agosto 18, 2019

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Banco Alimentar do Oeste com 1.200 voluntários para aumentar recolhas face a 2015

Banco Alimentar do Oeste com 1.200 voluntários para aumentar recolhas face a 2015
José Lagiosa

Cerca de 1.200 voluntários, distribuídos por 63 superfícies comerciais de oito concelhos, estão envolvidos na campanha deste fim de semana do Banco Alimentar do Oeste (BAO).

“Incomoda-me que haja desperdício quando há tantas pessoas com fome”, afirmou Ana lúcia, de 18 anos, justificando o que a leva a não falhar “nenhuma campanha” de recolha de alimentos do Banco Alimentar do Oeste (BAO), que tem sede nas Caldas da Rainha.

Naquela que é, tradicionalmente, a superfície comercial das Caldas da Rainha onde mais alimentos são recolhidos, Ana Lúcia tinha hoje a companhia do companheiro, Francisco, de 21 anos, e de vários alunos da escola Raúl Proença, liderados pelo professor Luís Gaspar, que, desde 2006, organiza as equipas de voluntários para aquele espaço por onde passarão 48 alunos durante dois dias.

“A maioria contribuiu, mas já tivemos muitas pessoas a dizer que não”, afirmaram os alunos Joana, Duarte, Francisco e Anita, que quando levavam pouco mais de uma hora de voluntariado na campanha tinham já ouvido respostas como “vai pedir ao José Mourinho [treinador], que ele é que tem dinheiro”.

Noutra superfície da cidade, davam a cara pela campanha alunos da Escola Bordalo Pinheiro, liderados por Vera, professora de Filosofia, também ela voluntária desde a abertura do BAO.

A vontade de os alunos participarem na recolha esbarra, neste altura, com “os testes de final do ano, o Rock in Rio, o Caldas Late Night”, mas, ainda assim, garante a professora, “há sempre muitos a não quererem faltar, por muito tarde que se deitem na noite anterior”.

Ou não estivessem ali “ por uma boa causa”, como disse à Lusa Rita Nunes, de 16 anos, ou movidas pela “vontade de ajudar quem precisa”, acrescentou Rachel Soares, de 18.

No estabelecimento onde mais duas alunas daquela escola e uma técnica da GEOTA colaboravam na campanha, notavam-se também “mais nãos” que em anos anteriores, mas ainda assim, os sacos com donativos iam aumentando.

Ao final da manhã, um casal inglês fez questão de entregar dez euros a uma das alunas, e a verba entregue à professora foi rapidamente convertida em alimentos.

Em dez anos de BAO não faltam histórias para contar, como de um outro casal estrangeiro que doou dois carrinhos de compras, a de uma idosa que foi de propósito, quase ao fecho da campanha, comprar azeite “porque tinha ouvido dizer que faltava”.

Ao todo serão, até ao final do dia de domingo, cerca de 1.200 as pessoas a colaborar na recolha promovida em 63 superfícies comerciais dos concelhos das Caldas da Rainha, Óbidos, Alcobaça, Nazaré, Bombarral, Cadaval, Lourinhã e Peniche.

“Ao início da manhã parecia haver menos movimento, mas perto da hora de almoço começou a recuperar e acredito que [este ano] vamos ultrapassar as 636 toneladas que recolhemos em 2015”, disse à Lusa o presidente do BAO, José Siqueira.

Destas, apenas 20% resultam das duas grandes campanhas anuais, já que, recorda o presidente, “em 2015 fizemos cerca de 15 mil quilómetros com as nossas carrinhas angariando produtos na região”.

Entre “latas amolgadas, produtos que perderam rótulos e que já não são vendidos”, recolhidos diariamente nos supermercados, são angariados mais 16% dos produtos entregues a 64 instituições e distribuídos por 10.926 pessoas.

O número de pedidos “estabilizou desde 2014”, o que permitiu “aumentar de três para quatro quilogramas por pessoa” os cabazes entregues e que, sublinhou, “são apenas um complemento”, em que não entram a carne e o peixe, mas que incluem os produtos hortícolas e frutícolas, doados por empresas da região.

Números que fazem do BAO – o 11.º banco alimentar a abrir portas no país – o sexto que mais alimentos recolhe e que, em dez anos de funcionamento, criou três postos de trabalho.

*Lusa

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