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BeiraNews | Abril 10, 2020

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Líder da Unidade de Missão para Valorização do Interior vê “país numa rota insustentável”

José Lagiosa

A coordenadora para a Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI), Helena Freitas, considerou hoje que o país está numa rota insustentável e adiantou que o modelo de organização político-administrativo falhou.

“O interior é hoje um objetivo de todos, porque o país não pode continuar esta trajetória. O modelo de organização político e administrativo falhou. Errámos. Temos de construir um modelo alternativo”, disse Helena Freitas.

A coordenadora da UMVI, que falava na sessão de abertura das primeiras Jornadas do Interior, organizadas pelo Jornal do Fundão e pela Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela, no Fundão, defendeu que a geografia não pode continuar a condicionar o presente e o futuro dos portugueses.

“Os saltos culturais são extremamente importantes para as escolhas que fazemos. É um aspeto que sei que não basta, mas é importante incorporá-lo”, disse.

Esta responsável sublinhou, também, que não se pode deixar de ter em atenção os serviços públicos e adiantou que se o Estado não garantir um conjunto mínimo destes serviços nos territórios, não há soluções que tenham viabilidade.

“Isso é a exigência mínima que se pode fazer ao Estado. O cidadão, esteja onde estiver no território nacional, tem de ter acesso à saúde, educação, justiça, cultura entre outros”, defendeu.

Já em relação às infraestruturas existentes no território nacional, a coordenadora da UMVI disse que não subscreve a avaliação que é feita.

“Não subscrevo essa avaliação. É evidente que em alguns casos temos infraestruturas em excesso, mas também é verdade que em muitos casos faltam infraestruturas rodoviárias e ferroviárias para promover o encontro de oportunidades que desejamos”, sustentou.

Nesta perspetiva, defendeu que se deve olhar para a forma como o país tem organizado os investimentos.

“Não temos tido grande sucesso a esse nível. Há realmente um desequilíbrio que continua a acontecer e temos de perceber de que forma o podemos contrariar”, concluiu.

Já o diretor do Jornal do Fundão, Nuno Francisco, realçou a criação da UMVI e o compromisso de esta pensar o interior como um todo.

“Hoje, a cidade do Fundão será o epicentro do interior, de Trás-os-Montes ao Alentejo em busca de caminhos e soluções e de renovadas esperanças”, disse.

Este responsável adiantou que as jornadas pretendem ser um fórum de reflexão comum e um ponto de encontro dos territórios do interior, cada um com as suas potencialidades e debilidades, mas unidos por problemas estruturais comuns.

“A boa vontade é um bom ponto de partida, mas não chega para sustentar uma ideia ou um projeto até à linha de chegada. É necessário mais, muito mais”, sublinhou.

Nuno Francisco deixou ainda algumas questões para reflexão: “Como potenciar economicamente estes territórios do interior, como assegurar a atratividade económica, em suma, como consolidar projetos económicos, sociais e culturais que garantam o rasgar de novos caminhos de afirmação”.

*Lusa

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