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BeiraNews | Agosto 18, 2019

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Ponto de Vista… por Luís Pereira Garra

Ponto de Vista… por Luís Pereira Garra
José Lagiosa
Portagens na A23

A luta já valeu a pena – A luta continua

Como nota prévia devo esclarecer que, embora tenha integrado a Comissão Contra Portagens na A25, A24 e A23, e nesse quadro tenha participado em quase todas acções por ela decididas, por razões que não vêm ao caso só me vou pronunciar sobre a A23.

Luís Garra

Luís Garra

Dito isto vamos ao que se passou na Assembleia da República no passado dia 6 de Maio com a discussão e votação das propostas sobre as portagens na A23.

Depois de uma longa luta contra as Portagens, em que alguns desistiram e muitos persistiram, podemos dizer que a luta já valeu a pena. Pela primeira vez, embora com resultados insuficientes, abriu-se uma nova janela de esperança para a continuação da luta até que a abolição das portagens seja uma realidade. A recomendação ao governo para a redução do preço das portagens agora aprovada com os votos do PS, PCP, BE, PEV e PAN é apenas e só a vitória numa etapa de uma corrida/luta que vai continuar e que antevejo ainda intensa.

Os resultados da votação na Assembleia da República estão aquém do necessário, traduzem uma postura errónea do PS e demonstram uma postura hipócrita do PSD e dos seus deputados eleitos pelo distrito de Castelo Branco.

Lembremo-nos do que foi dito pelos vários partidos na campanha eleitoral e em particular no debate eleitoral realizado no Fundão organizado pela USCB/CGTP-IN e lembremo-nos dos alertas ali feitos. Infelizmente a votação na AR veio confirmar a distância que vai entre as promessas eleitorais e a prática politica.

O PS, PSD e CDS, reeditando uma coligação negativa, votaram contra a abolição das portagens proposta pelo PCP e pelo BE, apesar de os deputados do PS eleitos pelo distrito votaram ao lado do PCP e do BE (se a rejeição necessitasse dos seus votos não sei qual seria o seu sentido de voto).

Hipócrita foi o voto do PSD e dos seus deputados eleitos pelo distrito. Quem não se lembra das tiradas quase revolucionárias da distrital do PSD e dos deputados Manuel Freches e Álvaro Batista pela abolição das portagens? E que fizeram eles agora? Votaram contra a abolição e abstiveram-se na redução do preço proposto pelo PS. E que propôs o PSD em alternativa? Apenas e só uma coisa difusa e sem conteúdo a que chamaram “Recomendação ao Governo para a revisão do sistema de cobrança de portagens nas ex-SCUT”. Estamos esclarecidos: O PSD e os seus deputados do distrito fazem discurso grosso para enganar papalvos e lá, na hora da verdade, votam contra o distrito, votam contra o interior e votam contra as populações.

E agora, que fazer?

Já atrás disse que com a nossa luta ganhámos uma etapa. Agora é preciso reunir forças de todos os que têm estado nesta luta (Comissão de Utentes, USCB/CGTP-IN e seus sindicatos, Associações de Empresários e os cidadãos em geral) para discutir a forma de manter a chama viva até que as portagens sejam abolidas.

O primeiro e oportuno momento é a apresentação, discussão e votação do orçamento para 2017 (e ele já está aí). As populações do interior não perceberiam que os partidos e os deputados que apoiam no parlamento a actual solução governativa não colocassem a abolição das portagens no lote de questões necessárias à viabilização do orçamento. E, para que não se fale em radicalização, não me repugna uma solução de reduções progressivas, quantificadas e calendarizadas até à abolição final.

As portagens são importantes demais para serem um elemento de mera luta de oportunidade política. Não queiramos ser como alguns que dizem que as obras só dão votos enquanto não estão feitas.

*Luís Pereira Garra, Comissão Contra Portagens na A25, A24 e A23

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