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BeiraNews | Abril 10, 2020

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Aos domingos… hoje com José Dias Pires

Aos domingos… hoje com José Dias Pires
José Lagiosa

Ser vizinho: a esperança está, cada vez mais, na proximidade.

Cada vez mais, as pessoas esperam dos autarcas o que já desacreditaram dos governos:

Projetos, programas e propostas capazes de gerar esperança, de assegurar níveis aceitáveis de segurança pessoal, familiar e coletiva.

José Dias Pires

José Dias Pires

ESPERANÇA, SEGURANÇA E CONFIANÇA são os três vetores que nos devem merecer total atenção e cuidado.

Todos entroncam numa preocupação que é hoje central para todos nós: a economia.

A economia, enquanto sustentáculo pessoal (relacionada naturalmente com o trabalho e o emprego); enquanto veículo do equilíbrio familiar (capacidade e possibilidade de assegurar níveis dignos de vida na comunidade); a economia coletiva (empresarial ou institucional) enquanto pilar fundamental dos dois aspetos anteriores.

Não estando incólume aos problemas que nacionalmente têm afetado as pessoas, as famílias as instituições e as empresas, os efeitos dos problemas nacionais sobre a comunidade albicastrense têm, apesar de tudo, sido menos gravosos: Por isso, aqui, as condições de sustentabilidade e desenvolvimento (ainda) podem ser geradoras de esperança, se formos capazes de acrescentar à obra feita (e ao trabalho global realizado) projetos de aprofundamento seguro e confiável. Suficientemente continuadores para não suscitar dúvidas sobre aventureirismos, suficientemente inovadores para promover novas adesões individuais e coletivas a um percurso de que nos devemos orgulhar.

Será possível na comunidade albicastrense agregar outras áreas sociais (desporto, cultura, associativismo, turismo, ambiente, educação, etc.) que possam ser integradoras da sustentabilidade e da promoção de uma economia local, na sua maioria comercial e de serviços, mas com componentes industriais de referência nacional e internacional (Danone, Delphi, Centauro, Dinefer, entre outras)?

Áreas aglutinadoras como a cidadania, a integração e ação social, desenvolvimento de interações comunitárias, promoção e gestão cultural, cabem claramente nesta conjunção.

Castelo Branco tem consolidados os recursos físicos (meios e equipamentos), possui e produz recursos humanos qualificados e de qualidade nas empresas e nas instituições (especialmente no IPCB), e realiza e desenvolve projetos, programas e ações de relevância no quadro social (associativo e institucional).

Importa apenas consubstanciar as suas sinergias, aprofundando a sua integração, e interação, que potencie novas áreas de intervenção que correspondam ao que no concelho globalmente se realiza: a prestação de serviços baseados numa economia local, quase toda tradicional, mas com componentes de inovação que importa manter, aprofundar e promover.

Aqueles, cuja experiência profissional e vivências comunitárias se enquadram no que referi, podem, e devem, contribuir com ideias para tais componentes.

Nas áreas da cidadania, da integração, da ação social, do desenvolvimento de interações comunitárias, do lazer educativo, da educação social e comunitária e da promoção e gestão cultural, encontrarão o espaço para alguns potenciais projetos que podem dar corpo a uma ação futura baseada no grande trabalho de infraestruturação que já foi realizado.

Nestes tempos de conturbadas incertezas, de potenciais (e desejadas) mudanças, importa promover a consciência cívica, o sentido crítico e as ideias dos jovens, através do levantamento, registo e apresentação de situações comunitárias que, no seu entender estejam Menos Bem, Bem e Melhor, e ainda da elaboração de propostas inovadoras e de melhoria da vida comunitária.

Devem ser acarinhados (e incentivados) grupos de reflexão, comunicação e debate de temas da atualidade, organizados nas escolas secundárias do concelho e apoiados pelo pelouro de educação e juventude da autarquia, podendo, eventualmente, vir a reunir-se em plenário municipal, uma vez por semestre, para apresentar o seu trabalho e debater as suas propostas.

Deve promover-se a prática de voluntariado demonstrativo de alunos finalistas do IPCB e a jovens licenciados nos Cursos de Educação Básica e Serviço Social (ESE do IPCB); Enfermagem e Fisioterapia (ESALD do IPCB).

Deve aproveitar-se a atual dinamização associativa nas diversas freguesias e nos bairros da cidade potenciando a integração e o intercâmbio de atividades aí desenvolvidas, através de pequenas feiras das atividades económicas mais significativas de (e em) cada um deles, da realização dos Saraus de Freguesia e de bairro, potenciando as atividades associativas e o intercâmbio de atividades culturais (receber e visitar), entre freguesias ou entre bairros.

Hoje, na nossa comunidade, estão preparadas as condições para as práticas comunitárias de lazer educativo que se justificam e potenciam pelas condições físicas (equipamentos), institucionais (escolas) e comunitárias (organizações e instituições), através de um conjunto de atividades sistemáticas de educação social e de intervenção comunitária, desenvolvidas a partir de diferenciadas e complementares unidades ativas, geradoras de hábitos e de atividades organizadas e orientadas pelos valores e princípios do exercício consciente da cidadania.

No fundo, o que importa é ser (e saber ser) vizinho.

Ser vizinho, e promover, de facto, a consciência comunitária do lugar onde vivemos.

Saber ser vizinho, obrigados a cumprir os objetivos essenciais que tenham em vista assegurar as condições para um adequado desenvolvimento local, e para garantir às populações uma vida melhor, reforçando a intervenção ativa e conjugada das autarquias, enquanto representantes dos interesses da população, na promoção, encaminhamento e reclamação, junto dos órgãos do poder, da resposta a problemas da sua responsabilidade.

*José Dias Pires, presidente da Assembleia de Freguesia de Castelo Branco

 

 

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