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BeiraNews | Abril 2, 2020

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Emigrantes em França dizem que se sentem “mais seguros” em Portugal

Emigrantes em França dizem que se sentem “mais seguros” em Portugal
José Lagiosa

Emigrantes em França que hoje entraram em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso, Almeida, disseram à agência Lusa que estão preocupados com os ataques de terrorismo ocorridos naquele país, mas não pensam desistir e regressar.

“Estamos mais seguros cá do que lá, mas desistir e regressar a Portugal, por enquanto não, porque estamos habituados a viver em França e, Portugal, é só para férias”, disse à agência Lusa Carlos Fernandes, de 37 anos, que reside em Lille.

O emigrante referiu que no dia-a-dia sente-se inseguro e, após os atentados, anda na rua “sempre a olhar, não vá acontecer alguma coisa”.

“Desde novembro que nos sentimos inseguros, mas nasci lá e regressar é um bocado complicado, disse Carlos Fernandes, que é pai de uma menina de três anos.

A mulher, Patrícia Fernandes, de 36 anos, também fala de “medo e de insegurança, mesmo com o reforço policial”.

“Preocupamo-nos com a segurança. Vamos ver mais adiante o que se irá passar e depois decidiremos. O futuro é uma incógnita”, declarou a mulher, que viaja com a família para Samora Correia.

Filipe Gomes, de 32 anos, que também reside na região de Lille, referiu sentir-se “completamente seguro em Portugal”, o que não acontece em França.

“Lá andamos sempre desconfiados”, relatou o emigrante que viajou hoje para Portugal (Castelo Branco) com a mulher, Élia Gomes, de 32 anos, e com a filha de dois anos, onde vai passar um mês de férias.

O homem disse que, “para já, não se coloca a hipótese” de regressar e de abandonar o país que acolheu os seus pais e onde já nasceu: “Temos lá casa e trabalho. E cá não temos nada? Seria complicado?”.

“Depois do que aconteceu em França, estar em Portugal é um alívio. Vamos ter um mês de descanso”, declarou Élia Gomes.

Lucinda dos Santos, de 51 anos, natural de Mangualde e residente em Nantes, contou à Lusa que depois dos ataques terroristas naquele país é o próprio marido, de nacionalidade francesa, que deseja “vir para Portugal, daqui a um ano, quando ele se reformar”.

A mulher, que viajava com o marido, com uma filha de 25 anos e com uma neta de quatro anos, disse que se sentia “aliviada” por pisar solo nacional.

“Os atentados podem acelerar o nosso regresso a Portugal. Tenho um filho que também admite regressar”, afirmou.

Outra emigrante, Cristina Chiron, de 52 anos, que vive em Nantes e se dirige para o Algarve, para passar férias, na companhia do marido, disse que os atentados “não mudaram nada” a vida do casal.

“Estou há 51 anos em França. Os atentados foram longe da zona onde vivemos e nós não nos sentimos inseguros”, disse.

No entanto, a portuguesa residente em França admitiu que “em Portugal há mais segurança” e o país “é diferente”.

“Eu não mudei nada a minha vida após os atentados. Regressar mais cedo a Portugal por causa disso? Não tenciono fazê-lo. Talvez um dia possa passar meio ano lá e outro meio ano cá”, concluiu.

*Lusa

 

 

 

 

 

 

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