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BeiraNews | Maio 26, 2020

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Sindicatos e administração da Valnor diferem nos números de adesão à greve

Sindicatos e administração da Valnor diferem nos números de adesão à greve
José Lagiosa

A greve na empresa de recolha de resíduos Valnor atingiu hoje uma adesão de “cerca de 50%” segundo os sindicatos, mas a administração contraria este número, informando que a participação é de “12%”.

A Valnor, com cerca de 150 trabalhadores, é a empresa responsável pela recolha, triagem, valorização e tratamento de resíduos sólidos em 25 concelhos dos distritos de Castelo Branco, Santarém e Portalegre.

A coordenadora da União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA), Helena Neves, disse à agência Lusa que durante os turnos da manhã a adesão à greve “em todos os setores” foi de “cerca de 50%”, sublinhando que no setor dos motoristas “quase atingiu a totalidade”.

A sindicalista explicou que durante a noite houve recolha de lixo para as centrais de triagem, uma vez que esse trabalho é feito pelos trabalhadores dos municípios, mas o seu transporte para a Valnor “não foi feito”, estando o lixo “acumulado” nas centrais de triagem de Portalegre, Castelo de Vide e Elvas.

“O impacto que tem a adesão à greve dos trabalhadores da Valnor é visível principalmente nas centrais de triagem e na entrega do lixo. É uma luta que causa sempre constrangimentos e esse é o nosso objetivo, torná-la pública, tornar as reivindicações dos trabalhadores públicas”, disse.

Em comunicado, a administração da Valnor faz uma leitura diferente da greve e afirma que a adesão ao protesto se situava, pelas 10:00, nos 12%.

“A Valnor informa que desde o início manteve uma política de diálogo, recebendo sempre o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local, ouvindo as suas reivindicações e procurando, na medida do possível, dar resposta aos problemas identificados, dando sempre a conhecer os racionais de decisão associados a cada uma das medidas tomadas”, lê-se no documento.

A empresa acrescenta ainda que “continuará a envidar todos os esforços” no sentido de procurar melhorar as condições de trabalho e de remuneração de todos os seus trabalhadores, sublinhando que definiu os recursos humanos como “preocupação prioritária” após o processo de privatização.

“Neste sentido, foram implementadas um conjunto de medidas que, apesar de implicarem impactos financeiros relevantes, foram entendidas como essenciais e urgentes para a valorização dos trabalhadores”, lê-se na nota.

A eliminação de todos os cortes salariais vigentes e a “reposição integral” das remunerações de todos os trabalhadores, a harmonização dos montantes atribuídos a título de subsídio de refeição e a regularização da situação dos trabalhadores temporários, com a respetiva integração nos quadros da empresa, foram algumas das medidas desenvolvidas, segundo a Valnor.

A Valnor acrescenta que desde 2015 assegurou, entre outras situações, a manutenção das condições de seguro de saúde e o alargamento desse benefício a todos os trabalhadores, o que implicou suportar um aumento de 11% no custo associado.

Os trabalhadores da Valnor, empresa sediada no concelho de Avis, no distrito de Portalegre, estão em greve desde as 00:00 e até às 24:00, para “exigirem melhorias salariais e defender a contratação coletiva”.

Segundo a USNA, “a luta é também para reafirmar a exigência da reversão da privatização da Valnor, cujos resultados nefastos estão já a ser sentidos no distrito” de Portalegre, nomeadamente com a “diminuição da qualidade dos serviços prestados às populações”.

Entre as reivindicações consta também a atribuição do subsídio de turno e seguro de saúde e de vida “em condições iguais” para todos os trabalhadores.

A Valnor pertence ao grupo EGF – Empresa Geral de Fomento, que é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos urbanos através de 11 sistemas multimunicipais (empresas) de norte a sul do país, em cujo capital entram também os municípios, com 49%.

*Lusa

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