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BeiraNews | Junho 5, 2020

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Aos domingos… hoje com Hortense Martins

Aos domingos… hoje com Hortense Martins
José Lagiosa

Mário Soares é Democracia, Liberdade e Europa

 

Mário Soares foi um lutador incansável. Perdemos ontem, o construtor da Democracia em Portugal. Mas, fica-nos o seu legado, de luta antes e depois do 25 de abril por um País livre. E Mário Soares foi livre até ao fim. Muitas vezes, as novas gerações dão por certo, algo que custou muito a alcançar e que não pode ser desvalorizado. Este é também o momento de aprofundar o conhecimento dos jovens, na nossa História. Esteve preso inúmeras vezes. Foi o construtor da Democracia, sabendo desde logo, que não haveria Democracia sem partidos, por isso os estimulou, criando mesmo o Partido Socialista. Era um combatente temível, mas mesmo os seus adversários, recordam esta grande personalidade.

Hortense Martins

Assim, ouvimos ontem Freitas de Amaral, falar de um combate duro, mas onde sempre se soube separar as questões partidárias das questões pessoais. Todos os adversários lhe reconhecem essa enorme grandeza. O respeito, pela diferença. O respeito pelo outro. Pela liberdade de pensar diferente e de viver de acordo com as suas convicções.

A imprensa nacional, mas também a imprensa estrangeira recorda Mário Soares, como uma figura central do nosso país, “o Pai da Democracia portuguesa”, dando-lhe o destaque que merce como um dos grandes do século XX.

Nós portugueses, devemos-lhe o Portugal moderno e europeísta de hoje. Foi Mário Soares quem assinou a nossa adesão à Comunidade Europeia. Sabia que Portugal só ganharia, só avançaria na senda do desenvolvimento, se se abrisse, sendo a adesão à Europa um passo determinante para esse efeito.

Sempre teve um olhar, para o futuro. Deixou-nos inúmeros livros, onde recordo “Mário Sorares um Político Assume-se.” Não era um político, com quem todos podiam concordar, porque queria sempre ser ele próprio, próximo das pessoas, livre para viver a vida, da qual sentíamos, aproveitava cada momento.

Mário Soares, percebeu cedo, que o sistema em Portugal, não poderia ser totalitário, mas pluripartidário. E foi isso, que defendeu, defendendo sempre a defesa das liberdades individuais.

A sua capacidade de resistência, de resiliência e de luta é também um legado da sua história de vida.

Recordo a sua última vinda a Castelo Branco, em maio de 2012, recorrendo também ao artigo que escreveu contando como ficou encantando por esta cidade, onde já não vinha há algum tempo.

Nesse dia para o lançamento de um livro de Fernando Paulouro, intitulado “Crónicas do País Relativo, Portugal Minha Questão”, que ocorreu no salão nobre da Câmara Municipal. Recordou assim o seu amigo “António Paulouro, de quem fui amigo, nos ominosos tempos da ditadura e que teve, depois do meu regresso da deportação, em São Tomé, a coragem de editar, em 1969, um livro meu a que chamei Escritos Políticos, que teve quatro edições. Fiquei-lhe sempre muito grato.”

Em seguida visitou o Museu Cargaleiro acompanhado pelo próprio Mestre e pelo Presidente da Câmara, onde elogiou este equipamento e o investimento feito na área da cultura. A propósito desta visita, escreveu no seu artigo de opinião no DN “ É um Museu de grande beleza e que muito me impressionou (…) Sou amigo há muitos anos de Manuel Cargaleiro. Foi ele que me apresentou, quando estava exilado em Paris, a Maria Helena Vieira da Silva e ao seu marido, Arpad Szenes. (…) Mas, apesar de conhecer razoavelmente a sua obra, fiquei encantado com a qualidade do que está exposto no Museu – pintura, azulejaria, cerâmica e tapeçaria -, da sua autoria e também obras de amigos seus, grandes artistas de várias nacionalidades e de populares e anónimos. “

Visita de Mário Soares ao Museu Cargaleiro

Nesse dia, em que esteve um dia inteiro em Castelo Branco, não parou um momento, mais uma vez ficou clara a sua capacidade de resistência e a sua vivacidade.

A vontade de tudo continuar a saber sobre o seu e nosso querido País, que tanto o inquietava. Mário Soares deu a sua vida à política, muitas vezes com sacrifício da própria família porque sabia que a sua família era enorme, a família socialista, a família portuguesa.

Pudemos falar, trocar palavras e transmiti-lhe a minha admiração, pela sua coragem. Recordámos, aquele momento há muitos anos na Alameda e o modo perspicaz e inteligente, como se impôs, não deixando que outros se apropriassem da rua. Foi decisivo. É por isso, uma obrigação que os mais jovens, saibam a História do País, conheçam esta luta. Só dessa forma estaremos à altura de defender o seu legado, para prevenir outros totalitarismos.

A melhor maneira de homenagearmos Mário Soares é defendermos a Democracia e a Liberdade. É lutarmos, sempre por um Portugal progressista e desenvolvido. Este é o nosso compromisso.

Bem-Haja Mário Soares e até sempre!

*Hortense Martins, deputada do Partido Socialista

 

 

 

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