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BeiraNews | Dezembro 16, 2019

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Proteger o pinhal passa por conhecer os sinais da doença do pinheiro

Proteger o pinhal passa por conhecer os sinais da doença do pinheiro
José Lagiosa

Nem todas as árvores que secam estão infetadas com o nemátodo da madeira do pinheiro, mas todas as árvores que foram infetadas pela doença da murchidão do pinheiro secam e morrem.

Esta foi uma das informações transmitidas aos participantes na ação de sensibilização e informação sobre o Nemátodo da Madeira de Pinheiro que decorreu na última quinta-feira, 16 de março, no Centro Ciência Viva da Floresta.

“É um problema bastante real e bastante preocupante e nós estamos a assumi-lo como tal. Nesse sentido, todas as nossas ações são realizadas no sentido de minimizar o avanço do nemátodo”, referiu António Borges, diretor do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que apresentou alguns dados sobre o nemátodo.

João Lobo, presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, destacou a necessidade de se olhar para a floresta como ser vivo que é e para o seu potencial de riqueza. “A floresta está num momento de transição a nível legislativo e da reforma que está a ser desenvolvida. Não é de um momento para o outro que mudamos a matriz fundiária que temos, mas ainda assim precisamos de cuidar de um património que irá, com certeza, trazer riqueza a todos nós e às gerações futuras”.

Cuidar da floresta implica uma gestão de proximidade a ser feita por proprietários ou por outras instituições.

O importante é que aos primeiros sinais de doença nos pinheiros, como a redução da resina, cloroses nas agulhas e amarelecimento da copa, a árvore infetada deve ser abatida, destroçando todos os sobrantes no local para impedir a propagação do nemátodo.

No entanto, a existência de terrenos que não são vigiados de forma contínua pelos seus proprietários, motivado pela migração e emigração, pelo desconhecimento do cadastro florestal ou ainda pela inacessibilidade dos povoamentos, tem sido um importante obstáculo ao controlo desta praga que foi registada pela primeira vez em Portugal em 1999.

Também José Bernardino, técnico superior do ICNF, alerta para a excessiva compartimentação da propriedade no concelho de Proença-a-Nova como fator que impede uma eficaz gestão florestal.

Na sua perspetiva, é no pinhal velho e localizado perto de cursos de água que se encontram mais casos de nemátodo.

Existem várias armadilhas instaladas no concelho para a captura do inseto, até porque parte do concelho integra a zona tampão criada junto à fronteira com Espanha para impedir a propagação do nemátodo para outros países europeus.

O ICNF acredita que esta praga possa ter chegado a Portugal na altura da Expo 98 vinda dos EUA, Canadá ou China, países onde havia registos desta doença.

Desde então Portugal tem adotado um conjunto de medidas legais, impostas pela União Europeia, para impedir a progressão do nemátodo para outros países europeus.

Nesta ação de sensibilização participaram cerca de três dezenas de pessoas, entre representantes dos Gabinetes Técnicos Florestais de diversas autarquias, juntas de freguesia, associações florestais, proprietários e agentes económicos.

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