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BeiraNews | Agosto 20, 2019

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Ponto de Vista… por António Mateus Dias

Ponto de Vista… por António Mateus Dias
José Lagiosa

Inacreditável e surrealista!

A história que vos vou contar é verdadeira, passou-se comigo ontem terça-feira dia 30 de maio de 2017 e é má demais para ser verdade e fez-me recordar o ano de 1972.

António Mateus Dias

Vim para Lisboa em julho de 1970 com 14 anos trabalhar, dois anos depois sofri um grave acidente de automóvel (atropelamento) que me deixou em coma uns 3 dias e cerca de 4 meses numa cama de um hospital público.

Foi nessa época que comecei a conhecer algumas deficiências dos hospitais do Estado, mas nunca como as que vi esta terça-feira.

Da parte da manhã, acompanhei um familiar a uma consulta qual o meu espanto, deparei, com esse estabelecimento com uma imagem de degradação impensável, salas apinhadas de doentes para consultas externas, salas degradadas.

A única coisa boa que observei foi, como excelentes técnicos tanto médicos como paramédicos, administrativos e auxiliares, conseguem desenvolver a sua profissão, com tanta balbúrdia, confusão e degradação.

Durante a noite do mesmo dia, coincidentemente, foi a minha vez de necessitar de ir receber tratamento a outro Hospital Público.

Então o que pensei depois de analisar o que vi, não houve 25 de Abril, não tivemos partidos políticos e não vivemos em democracia.

Tivemos sim políticos e políticas más, partidos a encher o bandulho (comer do orçamento estes anos todos), má gestão dos bens públicos, num país minado pela corrupção, recordando, apoio à saúde privada o corte no investimento na formação de pessoal medico e paramédico, o apoio a bancos falidos, são o fruto destes últimos 42 anos que vivemos.

Por isso não posso ficar calado e venho denunciar, na tentativa de ajudar a criar as condições para reverter este estado calamitoso.

O que pude observar e passei, passo a descrever: dei entrada no referido hospital por volta das 21 horas, depois da inscrição encontrei logo a sala de espera completamente “entupida” de doentes à espera de atendimento.

A triagem, não foi muito mau, o pior começou depois.

Após mais ou menos 45 minutos de espera, dei entrada numa sala do outro mundo, completamente cheia de macas e de cadeiras de doentes.

Uns esperavam para serem consultados, outros para receberem tratamento.

Quando dei por mim, embora doente crónico e resolvendo o problema com o médico de família, pensei mas onde estou eu?

Ressalvo os excelentes técnicos, como conseguem aqui trabalhar, médicos fazendo as consultas em pé, enfermeiros igualmente e outros técnicos, sem qualquer condição de trabalho.

O pior, doentes e principalmente idosos, votados ao abandono.

Lembro uma idosa, entre outros exemplos que poderia apontar, que esteve meia hora para poder ir à casa de banho.

Entrei pelas 21 horas, saí perto das 2 da manhã do dia seguinte!

*António Mateus Dias, fundador do PURP

 

 

 

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