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BeiraNews | Maio 25, 2020

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REPORTAGEM: Operação contra pesca e caça ilegal na Arrábida valeu pela sensibilização

REPORTAGEM: Operação contra pesca e caça ilegal na Arrábida valeu pela sensibilização
José Lagiosa

Vigilantes do Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e elementos da GNR desceram hoje a falésia do Cabo Espichel para detetar eventuais casos de pesca ilegal, mas os infratores avistados esconderam-se em locais de difícil acesso.

O objetivo da operação era encontrar eventuais pescadores em zonas proibidas perto de Sesimbra e armadilhas para aves protegidas na zona do Viso, em Setúbal, no âmbito de uma ação do ICNF a nível nacional.

Manhã cedo, ainda os primeiros raios de sol ameaçavam romper alguma nuvens que pairavam sobre o distrito de Setúbal, e já o dispositivo do ICNF e da GNR se concentrava no Parque Ambiental do Alambre, perto de Azeitão, no concelho de Setúbal, para levar a cabo a intervenção prevista para a zona de paisagem protegida do Parque Natural da Arrábida.

Esta ação de fiscalização e sensibilização, que teve a participação de 150 elementos do ICNF, incluindo 16 coordenadores, decorreu no Parque Natural da Arrábida, nos concelhos de Setúbal e Sesimbra, no Parque Natural de Montesinho, em Vinhais e Bragança, Parque Natural do Tejo Internacional, em Castelo Branco, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Rodão, Parque Natural da Serra de São Mamede, em Arronches, Portalegre e Castelo de Vide, e ainda aos concelhos de Alcoutim e Tavira.

“Vi dois indivíduos, um com uma cana de pesca, outro com fato de mergulho, mas que se esconderam numa zona onde o acesso só era possível através de uns cabos que se encontravam no local, mas fugiram os dois para locais inacessíveis, nos recantos da falésia junto ao mar”, disse Alda Muxagata, a vigilante do ICNF que avistou os dois suspeitos depois de descer toda a encosta ingreme do Cabo Espichel, até muito perto da linha de água.

Segundo Alda Muxagata, os dois suspeitos desceram até perto da linha de água através de cabos previamente colocados no local, que os vigilantes não quiseram utilizar por questões de segurança e porque se encontravam numa zona rochosa completamente molhada e com elevado risco de acidente.

“Faltou mobilizar meios marítimos para intervenção”, reconheceu Rui Natário, coordenador da intervenção que decorreu nos concelhos de Setúbal e Sesimbra.

Elementos da GNR que participavam na operação confirmaram pouco depois que se encontrava um motociclo no interior de uma casa abandonada, no topo da falésia, que poderia pertencer a um dos dois homens avistados pela vigilante do ICNF e que, eventualmente, poderá vir a permitir a identificação dos suspeitos.

Do Cabo Espichel, o dispositivo do ICNF e da GNR seguiu depois para o Forte de São Domingos da Baralha, uma infraestrutura militar do Século XVIII, que, à época, era considerada a primeira defesa da costa da Arrábida e que está situada numa zona que também é procurada para a prática da pesca lúdica ilegal.

Talvez avisados pelas sucessivas ações de fiscalização do ICNF e da GNR, não foi detetado nenhum infrator nesta zona de difícil acesso, com trilhos muito perigosos que contrastam com a beleza da paisagem, dominada pela falésia de onde se pode ver o manto azul do mar, que se perde na linha do horizonte.

Tal como na zona de Sesimbra, o dispositivo do ICNF que procurava eventuais armadilhas para aves na zona do Viso, mesmo no limite da zona urbana de Setúbal, também não terá detetado qualquer infração, situação desvalorizada pelo presidente do ICNF, Rogério Rodrigues, que também acompanhou a operação realizada na zona de Sesimbra.

“O que nós queremos, acima de tudo, é internalizar nas pessoas o valor da natureza, os valores naturais e terem a perceção de que há agentes no terreno que as podem ajudar a utilizar, de forma correta, a natureza”, disse Rogério Rodrigues, defendendo que o reduzido número de infrações que hoje foi detetado em todo o país também resulta do trabalho continuado dos vigilantes do ICNF e do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

Segundo Rogério Rodrigues, durante este ano o ICNF pretende desenvolver mais seis ações de fiscalização de grande envergadura a nível nacional, envolvendo entre 100 a 200 homens cada uma, relativamente à atividade turística, defesa da floresta contra incêndios, atividades agrícolas e pecuárias, questões de urbanização e edificação, espécies protegidas e indústrias extrativas.

*Lusa

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