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BeiraNews | Novembro 16, 2019

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10 de Junho: Real Gabinete Português de Leitura recebe espólio de Marcello Caetano

10 de Junho: Real Gabinete Português de Leitura recebe espólio de Marcello Caetano
José Lagiosa

O Presidente da República e o primeiro-ministro assistem hoje, no Rio de Janeiro, no Brasil, à cerimónia de transferência do espólio do último chefe de Governo do Estado Novo, Marcello Caetano, para o Real Gabinete Português de Leitura.

Fonte do executivo português disse à agência Lusa que este será um dos momentos mais relevantes da visita de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa ao Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, que está integrado nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades no Brasil.

O Real Gabinete Português de Leitura é uma instituição fundada em 1837 por emigrantes e refugiados portugueses e guarda atualmente cerca de 350 mil livros.

A este conjunto de 350 mil livros vai agora juntar-se a biblioteca de Marcello Caetano, composta por 17.963 títulos e por 21.506 volumes, entre os quais uma edição de 1731 das “Memórias de D. João I”.

“O espólio de Marcello Caetano estava a degradar-se num armazém após a falência da Universidade Gama Filho. Sendo o acervo de valor histórico indiscutível, o Governo português decidiu custear esta operação”, referiu a mesma fonte do executivo português, embora sem indicar os valores envolvidos.

Durante a última visita do Presidente da República ao Brasil, em agosto do ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa procurou encontrar uma solução para a recuperação do acervo do seu antigo professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e amigo dos seus pais.

Porém, só no passado dia 06, terça-feira, saiu a decisão judicial a permitir a entrega ao Estado Português do espólio do último chefe de Governo da ditadura portuguesa.

“Ante o exposto e atendendo ao interesse público na preservação e disponibilização de acervo de relevância para a comunidade luso-brasileira, defiro a cessão de todos os direitos sobre o acervo literário e documentos que compõem a Biblioteca Marcello Caetano para a Consulado Geral de Portugal, em nome do Governo de Portugal”, lê-se na decisão judicial.

A guarda da Biblioteca Marcello Caetano, pela mesma decisão judicial, ficará nas instalações do Real Gabinete Português de Leitura.

Outro momento alto da presença de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa no Real Gabinete de Leitura no Rio de Janeiro, na parte da tarde de hoje, ocorrerá quando for assinado um memorando de entendimento para garantir a preservação e a valorização do património desta instituição centenária, que é considerada uma das mais emblemáticas da cultura lusófona no mundo.

O chefe de Estado e o primeiro-ministro presidem à assinatura de um memorando de entendimento para a valorização e preservação do património português do Real Gabinete Português de Leitura e no âmbito do qual se prevê a criação de uma nova associação, denominada Luís de Camões.

O estado atual do Real Gabinete Português de Leitura esteve no centro das preocupações, tanto do Presidente da República, que o visitou em agosto passado, como do primeiro-ministro, que também esteve ali em setembro passado.

Na “maravilha do neoclássico manuelino”, o Presidente da República sentou-se “para não morrer de emoção” ao pegar no manuscrito de “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco.

Já o primeiro-ministro, durante a sua visita àquela instituição histórica, deixou uma mensagem do seu ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, em relação ao futuro do Real Gabinete Português de Leitura.

“Pediu-me para transmitir aqui que os estudos estão não só muito avançados, como se encontram no sentido muito positivo de rapidamente podermos fechar um entendimento sobre o futuro do Real Gabinete Português de Leitura. É o mínimo que o Estado português pode fazer por esta instituição”, completou o primeiro-ministro.

*Lusa / Foto: lusopt.com

 

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