Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
       

BeiraNews | Abril 7, 2020

Ir para o Topo

Topo

Sem Comentários

Fogos em Portugal com mais de 10 mil hectares começaram na década de 1980

Fogos em Portugal com mais de 10 mil hectares começaram na década de 1980
José Lagiosa

Os incêndios florestais em Portugal com área ardida superior a 10 mil hectares numa só ocorrência começaram na década de 1980, com a redução do pastoreio e o abandono de antigas áreas agrícolas a serem algumas das causas.

O estudo “Grandes Incêndios Florestais em Portugal”, da Universidade do Minho e da Universidade de Coimbra, refere que os fogos com área igual ou superior a 100 hectares começaram a vulgarizar-se a partir da década de 1980.

Até aqui os incêndios em Portugal nunca tinham atingido os 10 mil hectares de área ardida numa só ocorrência.

O primeiro destes fogos aconteceu em 1986, no concelho de Vila de Rei. No ano seguinte, outro fogo de grandes dimensões afetou os concelhos de Arganil, Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra.

“A partir destas datas podemos dizer que se deu início a uma nova realidade no que respeita aos grandes incêndios”, referem os autores do estudo, datado de 2013.

Com base nas estatísticas oficiais entre 1981 e 2010, foi entre 2001 e 2010 que se registou a maior área ardida de grandes incêndios florestais, com 1.164.748 hectares.

Foi também entre 2001 e 2010 que se registou o maior número de grandes incêndios, com 254 mil ocorrências. Por comparação na década 1981 a 1990 tinha-se registado menos de 83 mil ocorrências de grandes fogos florestais.

No conjunto de 30 anos analisados no estudo, de 1981 a 2010, o “excecional ano” de 2003 foi aquele que registou maior área ardida. Já o ano de 2005 foi o que teve maior número de ocorrências no período analisado.

Segundo os autores do trabalho, as “mudanças no uso tradicional da terra e estilo de vida das populações implicaram o aumento de grandes áreas abandonadas de anteriores terras agrícolas”, o que levou à recuperação da vegetação e ao aumento da acumulação de combustível na floresta.

“Muitas dessas áreas rurais tornaram-se paisagens propensas à ocorrência de incêndios de grande intensidade, devido aos elevados níveis de biomassa, acumulados ao longo dos anos e prontos para alimentar fogos catastróficos durante o verão”, refere o artigo “Grandes Incêndios Florestais em Portugal”.

Portugal registou este fim de semana o maior número de vítimas mortais em incêndios florestais na história do país de que há registo. O fogo, que causou pelo menos 58 mortos, deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e alastrou aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, obrigando a evacuar povoações ou deixando-as isoladas.

*Lusa / Foto: Lusa

Comentar