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BeiraNews | Março 21, 2019

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Idosos concretizam sonho antigo de participar nas Marchas Populares de Lisboa

Idosos concretizam sonho antigo de participar nas Marchas Populares de Lisboa
José Lagiosa

As dores físicas atrapalham, mas não impedem a assumida “brigada do reumático” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) de concretizar o sonho antigo de participar nas Marchas Populares, estreando-se este ano no desfile na Avenida da Liberdade.

“Nunca tive a oportunidade, nunca, e sonhava com isto, de maneira que estou feliz”, confidenciou Marta Navais, de 74 anos, uma das participantes da marcha da Santa Casa.

A ensaiarem há dois meses, de segunda a sexta-feira, no pavilhão do Vale Fundão, em Lisboa, os 52 marchantes já se sentem “preparadíssimos” para desfilar na Avenida da Liberdade, na noite de 12 para 13 de junho.

“A uma dói o joelho, a outra dói o cotovelo, a outra dói o braço, mas cá estamos com boa vontade”, afirmou à Lusa Marta Navais, frisando que a “brigada do reumático” está a dar o seu melhor.

Com arcos alusivos às tômbolas dos jogos da SCML e decorados com balões e manjericos, os idosos ensaiam os diferentes passos da coreografia, provando que “todas as faixas etárias” podem participar nas Marchas Populares.

Durante o ensaio, os marchantes adaptam-se aos sapatos novos, já as fatiotas ficam guardadas para o derradeiro dia do desfile.

“A nossa marcha é linda! Viva a Santa Casa da Misericórdia!”, entoam de viva voz os marchantes.

De acordo com o administrador da Ação Social da SCML, Sérgio Cintra, a ideia de constituir uma marcha para desfilar extraconcurso nas Festas de Lisboa surgiu como “o passo seguinte e o passo natural” à iniciativa dos vários equipamentos de organizarem marchas desde 2014, devido à “qualidade da resposta”.

Além disso, a criação da marcha da Santa Casa foi motivada para “concretizar de um sonho” de uma utente que nunca pôde marchar quando era jovem porque os pais e, posteriormente, o marido nunca o permitiram.

“O primeiro objetivo é aumentar a autoestima” dos idosos, afirmou à Lusa Sérgio Cintra, revelando que a idade média dos marchantes é 74 anos e o marchante mais velho tem 88 anos.

A coordenar o ritmo da marcha da Santa Casa, o ensaiador Paulo Jesus disse que o principal desafio é garantir que todos os marchantes estejam com a mesma energia, uma vez que a maioria dos idosos está a marchar pela primeira vez.

“São pessoas que durante uma vida inteira quiseram ser marchantes e não conseguiram”, declarou à Lusa Paulo Jesus.

Segundo o ensaiador, neste momento, está “tudo preparadinho e muito bem preparado” para que a marcha se apresente a público.

“Das melhores coisas que me podia ter acontecido agora aos 49 anos, foi este trabalho”, expressou Paulo Jesus, elogiando o empenho de todos idosos da SCML: “Não há ninguém a quem possa apontar o dedo”.

Cheia de energia, Maria José Aleixo, de 77 anos, assumiu que “é uma responsabilidade muito grande” participar numa marcha que vai desfilar na Avenida da Liberdade, apesar de desempenhar o papel de porta-estandarte.

“Mesmo doente das pernas, cá estou para dar o meu melhor”, assegurou Maria José Aleixo, referindo que “é um convívio muito bom” e “é uma camaradagem muito boa”.

Orgulhoso por participar pela primeira vez numa marcha, José Caldeira, de 75 anos, assumiu que “no início foi um bocadinho difícil”, mas à medida que vão ensaiando, vai melhorando.

“Vamos ser um sucesso”, garantiu José Caldeira, admitindo continuar a participar na marcha se a iniciativa da SCML se voltar a realizar.

Dona de um sorriso contagiante, Otávia Costa, de 68 anos, contou à Lusa que está “muito feliz por ter aceitado” o desafio de marchar, referindo que “os ensaios são muito intensos”.

“Às vezes chego aqui muito cansada, mas ouvindo a música, isso é o ‘flash’ para entrar logo no ritmo”, disse Otávia Costa.

As Marchas Populares de Lisboa vão desfilar na Avenida da Liberdade, no dia 12 de junho, a partir das 21:00, com a participação de três marchas extraconcurso: Infantil “A Voz do Operário”, Mercados e Santa Casa.

Organizado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), o concurso conta com a participação de 20 marchas: Alfama, Benfica, Madragoa, Alto do Pina, Carnide, Penha de França, Campo de Ourique, Bica, Castelo, Ajuda, São Vicente, Mouraria, Santa Engrácia, Alcântara, Marvila, Bela Flor – Campolide, Belém, Olivais, Graça e Bairro Alto.

*Lusa

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