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BeiraNews | Julho 12, 2020

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Pedrógão Grande: Ajuda tarda a chegar e serração em Castanheira de Pera admite fechar

Pedrógão Grande: Ajuda tarda a chegar e serração em Castanheira de Pera admite fechar
José Lagiosa

O proprietário de uma serração de Castanheira de Pera afetada pelo incêndio que começou em junho em Pedrógão Grande disse hoje que caso não haja “ajudas de lado nenhum” tem que fechar e “mandar o pessoal para o desemprego”.

Jorge Tomás Alves, o proprietário da serração Progresso Castanheirense, disse à agência Lusa que quase dois meses depois do fogo que lhe destruiu a empresa e toda a maquinaria, num prejuízo que está orçado em quatro milhões de euros, “a ajuda é zero”.

“Veio ajuda para o povo, mas para a indústria nada. Para montar a empresa e colocá-la a funcionar a 100% irei precisar de um novo investimento de 4,5 milhões de euros. Até agora, o dinheiro que tem entrado é das minhas poupanças, para pagamento de ordenados e para investimento”, disse.

Os cerca de 50 funcionários da serração estão todos a trabalhar, uns na própria empresa a tentar recuperar a maquinaria e outros na floresta a fazer limpeza, mas há dois meses que não há qualquer faturação.

“Já paguei um mês de salários após o incêndio, são cerca de 50 mil euros mensais, e vou para o segundo mês sem qualquer ajuda até ao momento”, frisou.

O empresário lamenta a situação e adianta que, inicialmente, “deram esperança e incentivaram”.

“É triste até agora, não haver ainda nada de concreto”.

Contudo, ainda mantém a esperança e espera que haja uma ajuda para a indústria: “Estou a tentar levantar os braços, tal como fiz em toda a minha vida”.

Jorge Tomás Alves é pragmático e sublinha que se até ao próximo mês não chegar qualquer ajuda de fora, “tem mesmo que fechar e mandar o pessoal para o desemprego”.

O proprietário da serração explica que em Castanheira de Pera só existe uma outra empresa semelhante a esta e que o outro grande empregador é a Câmara Municipal.

Adianta que caso a empresa tenha mesmo que fechar, vai ser “muito mau”, até porque a esmagadora maioria dos trabalhadores é jovem.

“E, sem emprego, têm que ir embora”.

Em relação ao seguro do imóvel da serração, o empresário explicou que também não recebeu até ao momento qualquer verba.

O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, num balanço às medidas de apoio tomadas para responder aos trágicos incêndios de junho no Pinhal Interior, salientou que estão já atribuídos apoios na ordem dos 100 milhões de euros, com vários avisos de candidaturas lançados em várias áreas.

“Hoje mesmo fazemos os primeiros pagamentos às empresas afetadas e muitos mais serão feitos nas próximas semanas, porque até agora só recebemos três candidaturas”, frisou o governante, em Penela, Coimbra, explicando que os apoios atribuídos se destinam à recuperação de maquinaria.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.

*Lusa

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