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BeiraNews | Outubro 19, 2017

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Vamos falar de Verão quente em tempo dele

Vamos falar de Verão quente em tempo dele
José Lagiosa

Em 1975, depois de ter sido um dos quarenta fundadores da Juventude Socialista nacional, fui convidado para ser funcionário político da mesma, o que aceitei.

José Lagiosa

Este início de trabalho aconteceu antes do segundo Congresso Nacional da JS, onde fui eleito para a Comissão Nacional de Conflitos, atualmente de Jurisdição. Estava longe de imaginar, então, o que me esperava e a outros membros, já que um conjunto de acontecimentos se haveriam de precipitar, quer internamente quer na política nacional.

No plano partidário foi a escalada interna, fruto de inscrições em massa de grupos trotskistas (quem se lembra que um dos grupos que deu origem ao BE assentava nesta base ideológica), visavam minar a coesão da organização, com semelhantes iniciativas no próprio partido.

Fomos então chamados a investigar e instruir processo disciplinar em duas secções: uma no norte, Avintes e outra no Algarve, Lagoa. Após deslocações às duas estruturas, ouvida a maioria dos implicados nos acontecimentos, as decisões foram similares em ambos os casos, a expulsão de cerca de cinco dezenas de inscritos.

Mas o Verão, apelidado então de quente estava para chegar e todos íamos sendo poucos para enfrentar aquilo que ia acontecendo ao longo do verão de 75, e que culminou em novembro do mesmo ano com a derrota das forças que se propunham implantar um regime de cariz ditatorial sob a influência e comando do Partido Comunista, sim o da geringonça, e com a cobertura de alguns setores dos militares de Abril com simpatias e afinidades com esses ideais.

Pelo caminho protagonizei diversos episódios relacionados com a defesa dos ideais da Liberdade, nomeadamente no RALIS, então sob o comando de Dinis de Almeida, o assalto ao jornal República e a célebre e inigualável jornada da Fonte Luminosa, onde o PS juntou cerca de 150.000 portugueses e que marcou a viragem para travar o processo anti democrático da esquerda revolucionária e do PCP.

Passados estes anos, olho para trás e constato que muito do esforço de milhares, foi ignorado e aquilo que defendíamos esquecido.

Hoje a política faz-se essencialmente de interesse vários, alguns no limite da lei, senão mesmo ultrapassando-a e escamoteia-se descaradamente o verdadeiro sentido que deveria imperar, o de servir o colectivo.

Depois admiram-se da apatia que se instalou nos portugueses, em termos políticos, partidários e cívicos. Pois se os exemplos que lhes apontam são exactamente os de “saque quem poder” ou “a lei serve para os outros”.

Passados quarenta e três anos, esta democracia que andámos a construir não passa de uma caricatura. Infelizmente!

*José Lagiosa, diretor beiranews.pt

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