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BeiraNews | Dezembro 12, 2017

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Volta a Portugal: Rafael Silva já pensou desistir, mas ainda quer ajudar a sua Efapel

Volta a Portugal: Rafael Silva já pensou desistir, mas ainda quer ajudar a sua Efapel
José Lagiosa

Rafael Silva viu, no sábado, todo o sofrimento recompensado, com o triunfo do colega António Barbio, mas o ciclista da Efapel não quer ser reconhecido apenas pelo espírito combativo, desejando entrar ao trabalho assim que possível.

Desde que caiu no final da segunda etapa, em Castelo Branco, e rasgou as costas no empedrado, Rafael Silva tem suportado a dor inerente aos 17 pontos que tem cravados na pele, recusando-se a desistir em nome dos colegas que tanto o têm ajudado. No entanto, quando fica sozinho, sem o pelotão à vista, e percorre, isolado, as dezenas de quilómetros de cada tirada, o ciclista da Efapel vê-se a lutar contra os pensamentos.

“Trabalhei muito este ano para ser um elemento fundamental na ajuda dos meus líderes e vejo-me ali… não sirvo para nada. Nem venho ao carro no início. Vou ali a sofrer só por sofrer. Isso, psicologicamente, deita-me muito abaixo, porque nem consigo ir à água. Não consigo comer – eles é que têm de me dar a comida a maior parte das vezes. Penso, muitas vezes: ‘o que é que eu ando aqui a fazer?’. Eles [colegas] são fenomenais, não me deixam desistir. Dizem que a equipa sem mim não faz sentido”, revelou à agência Lusa.

Para atestar o seu estado, o corredor português publicou, no dia de descanso, a foto da sua cicatriz: “Muitas pessoas me perguntavam: ‘Como é que estás? Como estão as costas? Será que é assim tão grave, já que consegues pedalar?’. Escreviam: ‘Não deve ser assim tão grave’. E eu até me ria sozinho. Já que as pessoas queriam ver eu fiz questão de publicar a foto. Agora, não assusta tanto como nos primeiros dias. A primeira foto que os médicos me tiraram até a mim impressionou, por causa da costura. Já vejo isto todos os dias e encaro com normalidade’.

Com um joelho esfolado e ligaduras que lhe envolvem a parte direita do tronco, o rapaz da Madalena (Vila Nova de Gaia), que quando não está na bicicleta anda ligeiramente curvado, contou que é no início das etapas que sofre mais.

“Sofro mesmo, mesmo muito. Pelo facto de os músculos não estarem quentes, dói-me muito o joelho. Dói-me tudo. Quando faço o curativo, onde tenho a ferida dói. Sinto desconforto a dormir e em cima da bicicleta, nos paralelos, nos buracos. É o mais difícil. De resto, poderia ter sido pior. Uma pessoa tem de pensar que poderia ser sempre pior. Não vale a pena andar a chorar”, defendeu.

Rafael Silva sabe que é uma inspiração para os colegas, que desejavam ganhar uma etapa para lhe dar uma alegria – conseguiram-no na Senhora da Assunção, com António Barbio, que o definiu como um ídolo -, e também que é apontado como um justo vencedor do prémio da combatividade da 79.ª Volta a Portugal por muitos adeptos.

“Se me quiserem dar [o prémio da combatividade], aceito de bom grado. O objetivo principal é terminar a Volta, mas se me vir um bocadinho melhor fisicamente já quero entrar ao serviço da equipa. Eu quero é fazer alguma coisa, porque não gosto nem sou ciclista de andar na parte de trás do pelotão sem fazer nada”, confessou, dizendo que, de coração, espera poder ajudar os seus companheiros no que resta de Volta.

Sempre de sorriso no rosto, o ciclista de 26 anos recusa culpar o número 13 que enverga, pelo terceiro ano consecutivo, pelos seus azares: “A culpa é do chefe [ri-se com Américo Silva ao lado] que me põe este número. De facto, não ligo a isso. Só este ano… já brincámos muitas vezes com isso. Os meus colegas até viraram o número ao contrário e, pronto, eu agora coloco sempre a dorsal assim. Não sou supersticioso. Se tiver de ser o 13 outra vez, não há problema”.

*Lusa

 

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