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BeiraNews | Maio 27, 2020

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Espetáculo Canas 44 propõe reflexão sobre o que está a desaparecer em Portugal

Espetáculo Canas 44 propõe reflexão sobre o que está a desaparecer em Portugal
José Lagiosa

As biografias de Leonor Keil e de Rafaela Santos servem de ponto de partida para uma reflexão sobre o que está a desaparecer em Portugal, proposta num espetáculo que tem ante-estreia marcada para quinta-feira, em Canas de Senhorim.

Canas 44 é o nome do espetáculo que tem direção artística de Victor Hugo Pontes e está integrado no ciclo Portugal em vias de extinção, do Teatro Nacional Dona Maria II (TNDMII).

São as suas vivências em Canas de Senhorim enquanto cidadãs, artistas, mães e mulheres que Leonor Keil e Rafaela Santos, as intérpretes do espetáculo, vão levar para o palco.

“É quase um ponto de situação, um marco na vida ou no destino. Terem a mesma idade (44 anos) e Canas de Senhorim em comum, porque uma viveu cá e entretanto foi embora, e a outra veio para cá e continua cá”, disse à agência Lusa Victor Hugo Pontes.

Partindo dessa ligação a Canas de Senhorim, no concelho de Nelas (distrito de Viseu), é feita uma espécie de memorabilia de factos, de lugares e de pessoas.

“Chegamos à conclusão de que os lugares são as pessoas. E quando as pessoas desaparecem o que é que fica nos lugares? Traçamos um mapa de desaparecimentos, o que é que elas encontraram cá quando chegaram que entretanto já desapareceu, o que é que existe agora e o que ficará no dia em que elas desaparecerem também”, explicou.

Segundo Victor Hugo Pontes, “a dramaturgia da peça passa muito por essa ideia da chegada, o que existia quando chegaram, qual era a relação delas com este lugar, sendo que há uma que o abandona e vai embora e outra que quer continuar a fazer o seu percurso nele, não sabe é até quando”.

O espetáculo alude a pessoas que viveram e ainda vivem em Canas de Senhorim.

“Canas está no título, mas, depois, no próprio espetáculo, nunca é referido o nome do lugar. Pode ser qualquer um no mundo que tenha características simulares”, referiu o diretor artístico, considerando que toda a gente tem memórias desta ruralidade, “destes espaços que entretanto começam a deixar de existir e das pessoas que desaparecem, desaparecendo com elas as histórias”.

Canas 44 é uma coprodução da Amarelo Silvestre, Nome Próprio, TNDMII, Centro de Arte de Ovar e Câmara Municipal de Nelas.

Fernando Giestas, da Amarelo Silvestre, desenvolveu um projeto paralelo com o agrupamento de escolas e o Centro Social e Paroquial de Canas de Senhorim, durante o qual foram levantadas questões que serviram para o texto do espetáculo.

“Há excertos que foram retrabalhados pela Maria Gil (autora do texto) e acabam por entrar no espetáculo como a voz que nós damos ao povo, às pessoas, em que dizem o que mudavam, o que gostariam de fazer, porque continuam aqui ou porque querem partir”, contou Victor Hugo Pontes.

Depois de Canas de Senhorim, Canas 44 tem já apresentações agendadas para Ovar (28 de outubro), Covilhã (29 de novembro), Sever do Vouga (02 de dezembro) e TNDMII (de 25 a 28 de janeiro).

*Lusa / Foto: José Caldeira

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