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BeiraNews | Fevereiro 28, 2020

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Seca: Autarca de Alcácer do Sal quer apoios do Governo para produtores de arroz

Seca: Autarca de Alcácer do Sal quer apoios do Governo para produtores de arroz
José Lagiosa

O autarca de Alcácer do Sal quer ser recebido pelo Governo para pedir apoios para os agricultores do concelho devido à seca, que diz pôr em causa a produção de arroz no Vale do Sado em 2018.

“Entendemos que o Ministério da Agricultura nos deve receber, tendo em conta a calamidade que já estamos a viver na agricultura”, disse hoje à agência Lusa Vítor Proença, presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal.

Segundo o autarca alentejano, “os produtores estão aflitos, em especial os de arroz”, uma vez que “não têm alternativa de produção”, já que “os solos onde cultivam são salgados”.

No concelho de Alcácer do Sal, a seca está também a afetar, segundo Vítor Proença, os produtores pecuários.

Além das dificuldades em preparar as culturas de outono/inverno, como os cereais, trigo, aveia, cevada e pastoreio, o “gado não tem água para beber”.

“O gado bovino e ovino está a ser alimentado a ração e a palha, exigindo muito maior quantidade de água ao mesmo tempo”, acrescentou, o que representa “muito mais encargos para os agricultores e muito menor rendimento”.

Tendo em conta que a agricultura é a principal atividade económica do concelho de Alcácer do Sal, onde é produzido “30 por cento do arroz nacional”, o presidente do município considera que a “situação é muitíssimo grave”.

“Com três anos de seca sucessiva, os poços e charcas estão secos. Os furos que garantem o abastecimento público para já não oferecem riscos, mas as barragens estão vazias”, alertou.

O autarca quer, por isso, ser recebido pelo ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, em conjunto com as associações de produtores e a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sado, para pedir medidas de apoio.

“Pensamos que a situação é tão grave que exige uma declaração de calamidade pública e medidas de curto prazo”, afirmou Vítor Proença.

O autarca defende que seja criada uma linha de crédito para os agricultores e ainda uma linha de financiamento com juro bonificado para pequenos investimentos, tendo em conta que os produtores agrícolas “vão manter os seus custos e vão perder muitos rendimentos”.

Outra das medidas reivindicadas é “um valor mais baixo” para “o preço da água do Alqueva” para abastecer a barragem de Vale do Gaio, no Torrão, no concelho de Alcácer do Sal.

Além disso, “a médio prazo”, Vítor Proença defende que “tem de se redimensionar o Alqueva para servir Alcácer do Sal através da barragem de Vale do Gaio”, bem como “facilitar os licenciamentos e fomentar captações privadas para aproveitar ao máximo a água”.

“Estamos a falar de uma zona que produz 30 por cento do arroz nacional. E o arroz exige muita água, 12 a 15 mil metros cúbicos por hectare”, explicou, alertando que a região “não vai aguentar mais um ano de seca”.

Os produtores de arroz de Alcácer do Sal já tinham alertado para o risco de não poderem cultivar em 2018, caso a seca de prolongue, depois de este ano terem reduzido “20 a 30%” da área semeada, tendo em conta a redução de água disponível nas albufeiras de Vale do Gaio e Pego do Altar.

“Para o ano corremos o risco de não fazer nada”, disse à agência Lusa, no início deste mês, o diretor do Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado (APARROZ), João Reis Mendes, preocupado com a quantidade de água armazenada nas barragens.

A redução da quantidade de água armazenada nota-se “desde há três anos”, o que levou à decisão dos produtores de semear arroz em menos “10 a 15%” da área em 2016 e “20 a 30%” em 2017, de um total de “5.500 a 6 mil hectares”.

As barragens “estão completamente em baixo, com valores entre os 8 e os 10% da capacidade de armazenamento”, segundo indicou Gonçalo Lince de Faria, coordenador geral da Associação de Regantes do Vale do Sado, entidade que gere as albufeiras de Vale do Gaio e Pego do Altar, explicando que isso representa um nível de água disponível de “praticamente zero”.

*Lusa

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