Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image

BeiraNews | Outubro 23, 2018

Ir para o Topo

Topo

Sem Comentários

A política já não é o que era… ou o lado obscuro da mesma

A política já não é o que era… ou o lado obscuro da mesma
José Lagiosa

Participei, embora ainda muito novo, em movimentações estudantis, no período que antecedeu o 25 de Abril de 1974.

José Lagiosa

Participei no crescimento partidário nos anos subsequentes a esse fantástico e maravilhoso dia que devolveu as Liberdades ao povo português.

Participei em todas as movimentações que permitiram a garantia e consolidação do processo democrático em Portugal cujo momento decisivo foi o 25 de novembro de 1975, depois do chamado Verão Quente.

Passados todos estes anos, pergunto-me se, a nossa luta com o nosso esforço, terá valido a pena.

O país, os partidos políticos e a política nacional estão reduzidos a algo que, em boa verdade, não consigo adjectivar.

Abuso do poder nas mais variadas formas e circunstâncias, viciação dos mãos elementares princípios democráticos em patamares diversos da sociedade, desde associações de bairro até às instâncias superiores da estrutura do Estado, são sinais de que não soubemos, enquanto povo, exercer o nosso papel fiscalizador e disciplinador de quem, por si só deveria auto controlar-se e ser pivô das nossas estruturas societárias e políticas.

Quando se dá o mau exemplo, não é exigível, bons princípios e comportamentos.

Como diz o povo “diz o que fazes, dir-te-ei quem és”. Diz o povo e uso eu agora a expressão, para realçar algumas práticas que são deploráveis como exemplo para toda uma sociedade.

Fazer diferente e contrário ao que propalamos no dia a dia, seja a nível local ou nacional, não é aceitável.

Usar a República e as suas instituições para auto promoção até limites insuportáveis, seja no poder local, seja no poder central, são práticas que denigrem a democracia, que se quer o mais transparente possível, pois é essa a sua função e obrigação.

Infelizmente à nossa volta, as más práticas e os maus exemplos, são às pazadas.

Eles são tantos e diversos, os maus exemplos, que me escuso a particulariza-los, por agora.

Estamos em mudança de ano, o que acontece hoje mesmo, que prefiro nesta hora a desejar, a todos os que ainda têm um pingo de vergonha, que façam neste final de ano, uma análise introspectiva dos seus atos, decisões e comportamentos, sejam eles quem forem, quer no plano local, quer a nível nacional e se forem capazes de o fazer, retifiquem em 2018 que está aí à porta, comportamentos, individuais e colectivos.

Das suas mudanças, poderão beneficiar, muitos individualmente e todos coletivamente.

Porque a democracia é isso também, emendar eventuais más decisões, retificar, a tempo, caminhos tortuosos pelos quais enveredamos, e olhar o futuro, olhando acima de tudo para o coletivo, a população.

Este é seguramente, o meu maior desejo para 2018, durante o qual estarei atento, a tudo aquilo que possa denegrir o que demorou longos e bastos anos a conseguir.

Um ótimo ano para todos o que vão gastando alguns minutos semanalmente a ler-me, com a esperança de que a política volte a ser aquilo que sempre deve ser…

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

Comentar