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BeiraNews | Abril 10, 2020

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António Lúcio Vieira apresenta novo livro de poesia

António Lúcio Vieira apresenta novo livro de poesia
José Lagiosa

Vencedor do Prémio Literário Médio Tejo Edições com “25 poemas de dores e amores”

 

O livro “25 poemas de dores e amores”, de António Lúcio Vieira, foi lançado na tarde do último sábado, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas.

A obra, vencedora da primeira edição do Prémio Literário Médio Tejo Edições, uma iniciativa que nasceu para promover os talentos regionais e que conta com o apoio do TorreShopping, é editada pela Médio Tejo Edições e terá distribuição nacional sob a sua chancela Origami.

A cerimónia foi presidida por Pedro Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, e apresentação da obra ficou a cargo de António Matias Coelho, presidente da Associação Casa-Memória de Camões, e do compositor Pedro Barroso, autor do prefácio, que deixa “um conselho” a quem quer ler Lúcio Vieira:

“Dispa-se de atitude e abra a porta do sentir. Sofra com ele tudo que não foi e devia ter sido. Tudo o que se sonha e nunca se cumpriu e a alavanca imensa que nas suas palavras transcende a semântica e o bom comportamento sindical das palavras domesticadas. Com ele as palavras são, cada uma, um grito de alma próprio na junção da ideia. Uma pincelada do sentir.”

O autor é, nas palavras de Pedro Barroso, “um poeta maior”. Contudo, “a vida nunca lhe outorgou o mérito e o proveito, nem os privilégios de arautos ou arengadas panaches das passadeiras do celestial encanto. Nem os prémios nem os respeitos e dividendos. Frágil cultura – ingrata lavoura, a das palavras. Tenho para mim que tudo na vida lhe foi difícil. E que desse cinzento amargo da sua própria cinza ele soube erguer uma poesia de culto e de excelência, forte e sabia como punhos e cometas, gritando essa injustiça nas entrelinhas da sua paixão, de raivas e delírios construída.”

António Lúcio Vieira autor de “25 poemas de dores e amores”

No prefácio, o compositor acrescenta ainda:

“Não se consagra entre nós o merecedor mas o eleito. Nunca o profundo, mas o supérfluo. Nunca o sensível, mas o frívolo. E neste quarto escuro vivem atirados os poetas do limbo da eternidade. Talvez destinados a serem descobertos para lá da sua vida, no grito planetário da catedral do tempo que há-de vir. Apetece por vezes gritar na rua. Os poetas maiores são sempre os que não vêm no manual da celebração, porque toda a sua celebração é profunda e esplendidamente interior. Não está no alcance imediato da primeira esquina. Exige argumentos de saber, ternura e atenção. Não colhe maresia e flores campestres em rima de pé quebrado. Fala da raiva do viver e da cortina maior de cavar a terra do preconceito e da mudança. Grita paixão e de certo modo, angústia de não ser. Medo talvez de tudo acabar assim. Nestes poemas há uma força acusatória imensa na proporção exacta dessa jactância dos reguladores de um mediatismo que ele nunca soube ter. Apesar de ser o tal poeta maior.”

O evento incluiu a declamação de poemas do autor, um Porto de Honra e uma sessão de autógrafos.

 

 

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