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Reviver o passado recheado de referências

Acabo de ler a entrevista que um dos fundadores do Partido Socialista, António Campos, concedeu ao jornal i da passada sexta-feira, dia 26 de janeiro de 2017.

José Lagiosa

Esta leitura, proporcionou-me uma viagem aos primórdios da democracia portuguesa, devolvida aos portugueses, com Abril de 1974.

Lembro-me ainda, quando em 1975, então funcionário político da Juventude Socialista, jantei e pernoitei em Oliveira do Hospital em casa de António Campos.

Reencontrei-o posteriormente, inúmeras vezes, na sede do PS, na Rua da Emenda em Lisboa, quando para lá fui trabalhar, na Coordenação Política do Alentejo e Algarve.

Habituei-me a reconhecer neste homem, características e virtudes difíceis de encontrar na esmagadora maioria dos políticos dos tempos atuais.

António Campos sempre foi um camarada que escutava os outros mas fundamentalmente era um homem que fazia política a pensar no colectivo, com desassombro e com ideias claras viradas para o desenvolvimento do país.

Foi com elevada consideração e após tantos anos que constato que António Campos continua igual a si próprio, comungando os mesmos ideais de sempre com tantos outros, entre os quais me incluo, pese embora ter abandonado o PS em 2015, após quase 41 anos de militância.

António Campos coloca o dedo na ferida quando afirma que “os partidos estão afastados das grandes causas. Estive com os deputados… Falta-lhes esse amor às causas”. Pois esta afirmação diz tudo!

Hoje a política faz-se com interesses e para os interesses. Os anseios do povo, esses que esperem. Primeiro os nossos interesses ou os interesses que nos interessam.

Esta é a realidade da esmagadora dos intérpretes da política nacional e têm-se espalhado, assustadoramente pelos demais atores espalhados pelo país, onde nem escapam muitos dos atuais autarcas.

A política fez-se para servir os outros, o colectivo, não para servir os nossos próprios interesses. Infelizmente as coisas, ao longo destes quase 44 anos de democracia, inverteram-se e já muito poucos estão, na política, com alma e coração, para servirem, mas para se servirem!

Só um homem, democrata e socialista, verdadeiramente livre, pode continuar a defender Sócrates, pois nada o inibe de fazê-lo. Muitos dos que se serviram de Sócrates, estão hoje calados, envergonhadamente distraídos da história, na qual foram intérpretes muitas vezes em causa própria.

António Campos continuará sempre a ser um homem livre.

Já outros ficarão com as suas acções na consciência!

Nota: Já depois de concluída esta opinião fui confrontado com a morte de um outro fundador do PS, Edmundo Pedro, com quem partilhei momentos intensos, nomeadamente após a sua prisão injusta, num momento em que recolhia armas do tempo do PREC, entregues a civis, para serem devolvidas ao exército. mais uma figura a que nunca foi dado o devido reconhecimento. Até sempre camarada Edmundo!

*José Lagiosa, diretor do Beiranews.pt

 

 

 

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