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Da recusa em parar nasceu uma pintora que expõe aos 98 anos

Maria Augusta Oliveira tem 98 anos e começou há 29 a pintar, recusando-se a parar na reforma depois de 40 anos como funcionária da Segurança Social e impondo a si própria uma disciplina que a levaria também ao ginásio.

Na cidade onde o cineasta Manoel de Oliveira viveu até aos 103 anos, Maria Augusta Oliveira surge hoje como uma das “artistas” mais idosas em Portugal a expor, sendo que é a 43.ª vez, entre coletivas e individuais, que os seus trabalhos, todos eles em óleo sobre tela, podem ser vistos.

Depois de ainda jovem ter pintado o seu primeiro quadro, que “reproduzia uma criança a pescar”, foi só aos 68 anos que tomou a decisão de começar a pintar, ensinada no atelier de Artur Terra, o seu mestre.

“Comecei a pintar porque queria estar ocupada”, relatou à agência Lusa a pintora que até quinta-feira teve o seu trabalho exposto no Espaço Q/QuadraSoltas, no Porto, assumindo que era uma das coisas que a atraia, “a par de fazer ginástica”, que teve de interromper devido à “dor provocada nas costas”.

Do horário de trabalho passou ao “horário que queria diante da tela”, num início de caminho onde já não recorda em quem se inspirou, mas do qual guarda muito elogios “à competência de Artur Terra”, com quem aprendeu a pintar.

A memória volta a falhar quando a pergunta versa o número de quadros que desde 1989, ano em que iniciou as exposições, pintou, assegurando, ainda assim, que “foram bastantes”.

E de uma vida que pretende seja ocupada todos os dias, quando fez 90 anos cumpriu o sonho de ir a Barcelona mas, à parte de “uma bijuteria”, nada mais trouxe de inspirador de uma cidade em que “visitou museus” e que lhe provocou “uma grande atração”.

A proximidade do centenário de vida deixa marcas e já há algum tempo que Maria Augusta Oliveira usa um “pacemaker”, tendo recebido há poucas semanas do médico a garantia de que a pilha ainda tem “validade para mais 10 anos”.

“Pelos vistos vou continuar a pintar mais tempo”, sorriu a pintora, assegurando que assim será “enquanto puder”.

A sua sede de conhecimento e de novas experiências levou-a recentemente a querer aprender a trabalhar a cerâmica, sendo que a última exposição incluiu seis desses azulejos.

“Não são clássicos, não é aquela pintura que se vê nos azulejos, antiga. São à minha maneira, mais modernos”, explicou, orgulhosa.

E embora, quando tomou a decisão de fazer algo assim que se reformasse, não tivesse tido ninguém a aconselhá-la, disponibiliza-se a fazê-lo a quem precisar: “eu andei para a frente e estou pronta a dar o meu contributo para que essas pessoas continuem a trabalhar e serem úteis à sociedade”.

De Manoel da Oliveira, concorda que foi “um exemplo e um ídolo”, recordando uma conversa que teve com o cineasta no Palácio da Bolsa, numa altura em que o achou “já muito débil”,

“Nessa altura senti-me com mais garra do que ele”, recordou Maria Augusta Oliveira, que elege como pintores preferidos Júlio Resende e José Rodrigues, de cujo género de pintura disse ser “leve e atraente, com vida, especialmente a de Júlio Resende”.

Sobre o facto de as suas pinturas serem todas a óleo sobre tela, justificou-o por uma questão de funcionalidade, explicando que “desliza com facilidade e dá-se o seguimento” pretendido, enquanto o “acrílico prende a pintura”.

Por motivos de saúde, no último ano, viu-se forçada a interromper as pinturas no atelier, facto que a fez “desanimar um pouco”, mas como não gosta “nada de estar parada” está a “recomeçar” e promete que agora é de vez.

*Lusa

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