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Da ausência de ação até ao ridículo dos excessos em matéria de Ambiente

Muito se diz e fala, nos tempos recentes, em matéria de ambiente.
De um longo período de silêncios e de ausência de ações de prevenção e fiscalização, o poder político passou a exercer a pedagogia do “no sense”.

José Lagiosa

As políticas de ambiente há muito que estão desajustadas da realidade climática actual, logo deixaram de estar em consonância com as necessidades de preservação das nossas florestas, mares e rios.
Sabendo que muitas das actividades económicas do país estão, intrinsecamente ligadas a indústrias que de alguma maneira afetam a realidade ambiental, esperar-se-ia que o poder político exercesse a sua função e legislasse em conformidade de garantir um equilíbrio entre os interesses económicos dos operadores industrias, os interesses do país e dos seus habitantes no que concerne ao ambiente e as alterações que se têm verificado nos pressupostos naturais actualmente existente.
Mas não, deixa-se para amanhã o que se pode fazer hoje e depois de trancas à porta e o desnorte completo.
Depois de emitidas licenças industriais, renovadas sistematicamente, depois de se aprovarem investimentos na casa de milhões de euros, depois de consumados esses investimentos, vem agora o poder político sacudir água do capote e acusar agentes devidamente licenciados e até prova em contrário, isentos de culpabilidade, para dar resposta a uma opinião pública e a alguns sectores políticos mais radicais.
Dá assim, o poder político e os seus agentes, azo a desconfianças, colocando postos de trabalho e investimentos em causa, aliás esta sempre foi uma prática mais fácil de assumir, sem verdadeiramente fazer um diagnóstico mais amplo, completo e científico da questão.
O caso mais flagrante é o do Rio Tejo, curso de água internacional e nomeadamente de Vila Velha de Ródão onde existe uma unidade industrial de pasta de papel, vai para algumas décadas.
Um rio que é manifestamente agredido ao longo do seu curso, em território espanhol, um rio que tem vindo, ao longo de muitos anos, a ver reduzido o seu caudal em virtude das alterações climáticas, um rio que deixou de ser um terror das populações ribeirinhas, no Ribatejo, pois deixou de provocar inundações de dimensões muitas vezes catastróficas, não pode ser um rio que de um momento para o outro é violentamente agredido por uma indústria.
Não é razoável nem honesto cientificamente fazê-lo. Durante anos o poder político assobiou para o lado e não assegurou, legislação, políticas e práticas que salvaguardassem os interesses nacionais mas garantissem equilíbrios possíveis, a nível ambiental.
Não venham agora atirar culpas para um único operador, devidamente licenciado, fiscalizado e aparentemente cumpridor das regras às quais estava e está obrigado.
A decisão de obrigar, de forma única e unilateral, essa indústria a reduzir em 50% a sua atividade produtiva durante 10 dias, sem dados concretos que a justificassem é no mínimo estranha.
Embarcar em campanhas que do ponto de vista político podem trazer índices de popularidade, sempre relativas e efémeras, podem conduzir simultaneamente ao seu inverso e transformar-se num cenário bastante negro para o poder político e de consequências perigosas em termos de emprego, num concelho que é um dos mais pequenos e menos populosos da região.
A economia, a sua gestão eficaz não se compadece com decisões por decisões políticas de arranjos entre parceiros parlamentares com interesses demasiado antagónicos, nomeadamente em termos temporais e do dossier eleitoral que está mais próximo do que se possa imaginar.
Senhores governantes e senhores deputados, não esqueçam nunca que desempenham funções em nome do povo, trabalham para o servir e têm a obrigação de o fazer de forma equilibrada e não podem correr atrás de sondagens ou de interesses menores!

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 
 
 
 
 
 

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