17.2 C
Castelo Branco
Quarta-feira, Setembro 30, 2020
No menu items!
Início Cultura Mia Couto afirma que países africanos lusófonos estão “no grau zero” de...

Mia Couto afirma que países africanos lusófonos estão “no grau zero” de conhecimento mútuo

O escritor moçambicano Mia Couto defendeu, na cidade da Praia, que os países africanos lusófonos “estão no grau zero” de conhecimento cultural mútuo, adiantando que continua a “existir um triângulo tipicamente colonial” no seu relacionamento.
“Estamos no grau zero. Para conhecer o que se passa ou o que se faz em Cabo Verde ou em Angola ou na Guiné-Bissau ou em São Tomé e Príncipe tenho de ir à Europa, passo por Portugal. Esse triângulo tipicamente colonial continua a existir”, disse o escritor moçambicano
Mia Couto está em Cabo Verde, onde este sábado será recebido pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, depois de sexta-feira ter participado numa conversa no âmbito do festival literário Morabeza. Em declarações aos jornalistas, sublinhou a quase inexistência de trocas no domínio da literatura e o fraco conhecimento em outras áreas, ressalvando a exceção cabo-verdiana na música. “Cabo Verde é uma exceção porque é um grande centro de exportação de música”, disse.
Por isso, o escritor elogiou a decisão da futura presidência cabo-verdiana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de eleger como prioridade a criação de um mercado comum de arte e cultura lusófonas. “Isso é muito bom. Faz falta. É preciso que se roube a iniciativa que agora esta completamente nas mãos do mercado. Quem tem o critério de edição é o mercado e isso sozinho não basta. É preciso que haja qualquer coisa que force um outro critério. Um jovem que não tem venda e que é bom tem de ser apoiado por alguém e esse alguém tem de ser o Estado, uma outra voz”, disse.
Durante a conversa com o público, que decorreu na Biblioteca Nacional, o escritor defendeu também a existência da “figura de um editor” para a literatura portuguesa, considerando que tornaria a escrita “mais interessante”. “No mundo da língua portuguesa também faz falta uma figura de um editor, como há na literatura anglo-saxónica. O editor intervém na escrita e discute com o autor, portanto ele é quase um co-autor. Na língua portuguesa acontece o contrário, o autor é como uma entidade divina”, disse.
A conversa com Mia Couto inseriu-se na primeira edição do festival literário Morabeza, que decorreu entre 31 de outubro a 5 de novembro, e na qual Mia Couto deveria ter participado. Compromissos profissionais impediram o autor de Terra Sonâmbula de vir nessa altura, tendo a sua participação sido adiada para agora.
*Lusa / Foto: Alejandro Garcia

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

Covid-19: Santa Clara – Gil Vicente vai ser o primeiro jogo da I Liga com público

O jogo Santa Clara – Gil Vicente, da terceira jornada da I Liga de futebol, vai ter uma assistência de 1.000 pessoas,...

Museu de Arte e Arquitetura gratuito no fim de semana e feriado pelo 4.º aniversário

Visitas guiadas a exposições, música, teatro, conversas e oficinas compõem a programação dos três dias de celebrações do 4.º aniversário do Museu...

João Morgado vence 13.ª edição do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca com a obra “Contos de Macau”

Câmara Municipal de Santiago do Cacém  Já é conhecida a obra vencedora da 13.ª Edição do Prémio Nacional...

Escolas Doutorais, pandemia e orçamento estiveram em discussão no Conselho Geral da UC

O orçamento da Universidade de Coimbra (UC) e dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC), o impacto da pandemia...

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: