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Sexta-feira, Setembro 25, 2020
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Sem Rei nem Roque

O PSD viveu, no passado fim de semana, um congresso atípico, em partidos de tradição parlamentar e governativa, num clima pouco afinado com a postura do seu novo líder.

José Lagiosa

Depois de uma vitória, na corrida à liderança, Rui Rio viu, os seus pares sufragarem a lista apresentada “a meias” com Santana Lopes na corrida ao Conselho Nacional, sem maioria absoluta e assistiu, sem nada poder fazer, à eleição do novo líder da bancada parlamentar, candidato único, por uns escassos 39%.
Com o desenrolar deste processo, ficou latente, a ideia, de que este não era o tempo certo para Rui Rio, aliás ideia manifestada por muitos sociais democratas.
É manifestamente cedo para fazer uma ideia concreta e válida sobre esta matéria, nomeadamente por quem está fora do PSD.
No entanto há, na figura do novo líder do partido, determinadas características que podem contradizer esta perspectiva.
Rui Rio tem na sua história política momentos interessantes, ainda que a nível meramente regional, mas que podem ser fundamentais para lhe assegurar um percurso positivo, senão mesmo vencedor, ainda que vá ter que fazer uma travessia no deserto, enquanto não renovar o actual grupo parlamentar, oriundo de escolhas da anterior liderança.
Acredito que Rui Rio não desperte grandes paixões. Não é, na verdade, um político à antiga. Tem uma postura bem mais sóbria, uma forma de ver e fazer política diferente da habitual em Portugal, mas isso e o facto de ter uma relação de cordialidade com o actual primeiro-ministro, António Costa, podem ser mais que suficientes para que o caminho que agora inicia, mais tarde ou mais cedo, venha a ser vitorioso.
Num país, que viveu quarenta anos em ditadura e outros tantos em regime democrático, nota-se que os portugueses estão apáticos politicamente e basta olhar para o nível de abstenção em atos eleitorais, para perceber que logo que se cansem de Costa viram-se para um outro interveniente, seja ele capaz de lhes oferecer uma miragem, seja ela qual for, de uma “vida melhor”.
Portugal deixou de ter dirigentes políticos, capazes de incutir no seu povo, verdadeiro sentimento de liderança.
Basta ver o comportamento do actual presidente da República, para perceber isso mesmo, com quem tudo se torna festa ou desgraça. Importa é entreter a malta.
Este povo não cresceu, nem vive imbuído de cultura democrática.
Vive sempre na esperança que, o próximo que chega virá dar-lhe mais uns patacos para a sua triste vidinha.
Raramente fazem as suas escolhas em função de projectos políticos baseados realmente em ideais consistentes e desenvolvidos por líderes sérios e visionários.
Agora não vai ser diferente. Sem Rei nem Roque!
*José Lagiosa, diretor beiranews.pt

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