7.8 C
Castelo Branco
Domingo, Março 7, 2021
No menu items!
Início Opinião Uma Cidade das Pessoas ou as pessoas de uma cidade

Uma Cidade das Pessoas ou as pessoas de uma cidade

Castelo Branco comemorou, na última terça-feira, o 247º aniversário da Cidade.
Não sou albicastrense de nascimento, mas sou seguramente um albicastrense de coração.
Vinte e quatro anos de vivência em Castelo Branco, permitiram-me criar raízes, construir amizades e porventura, a mais importante porquanto a essencial na decisão de sair de Lisboa e de vir viver para Castelo Branco, ter visto a minha filha crescer e tornar-se mulher, em ambiente seguro e harmonioso.

José Lagiosa

A cidade, que adoptei e que creio também já me adoptou, pelo menos por parte de alguma da sociedade albicastrense, era à data muito diferente!
A transformação da Cidade de Castelo Branco ao longo destes anos, 16 dos quais sob a governação de Joaquim Morão é evidente e muitas vezes mais apreciada e reconhecida no exterior do que por alguns daqueles que cá vivem, porventura saudosos dos velhos do Restelo.
Mas se desenvolvermos um exercício de relembrar o que foi no passado e o que é hoje a cidade, rapidamente chegamos à conclusão que a Cidade e todo o Concelho de Castelo Branco atravessou, um momento único na sua já longa história. Repito um momento único na sua história.
Quem pode esquecer realizações que devolveram uma nova imagem á Cidade. A requalificação do Cine Teatro, hoje uma sala moderna e de reconhecida qualidade e que tem tido na sua programação momentos bem altos a nível cultural, com uma agenda bem diversificada de forma a abranger um leque tão amplo quanto possível de gostos e sensibilidades culturais.
A requalificação profunda e completa da Avenida Humberto Delgado, que permitiram transformá-la numa zona de grande actividade comercial e uma das mais concorridas da Cidade.
As Circulares à cidade, obras essenciais que permitiram desenvolver uma estratégia de planeamento rodoviário urbano, de forma a disciplinar o trânsito no centro da cidade, criar condições para uma eficiente circulação rodoviária de viaturas ligeiras e pesadas sem perturbar o normal funcionamento da vida daqueles que fazem no centro da cidade a sua vida diária.
E na mesma perspectiva de eficiência de disciplina rodoviária é bom lembrar os inúmeros parques de estacionamento construídos, quer á superfície quer subterrâneos que contribuíram para que a cidade, ficasse mais liberta e visivelmente mais agradável.
E por falar em lugares mais bonitos, lembraria a requalificação do Parque da Cidade que tanto deu que falar mas que, hoje em dia, quase todos reconhecem que continua a ser um cartão de visita da Cidade com a dignidade que sempre teve, não obstante as transformações que sofreu, que lhe deram acima de tudo uma imagem mais moderna condizente, aliás, com os tempos que vivemos.
A reabilitação do espaço da Srª de Mercules e das respectivas vias de acesso, foi outra realização da Câmara Municipal que contribuiu para que as celebrações se realizassem em ambiente mais agradável e com mais participação de muitas pessoas oriundas de fora da Cidade.
A Piscina Praia, uma obra que tornou diferentes os verões em Castelo Branco.
As Piscinas cobertas que vieram colmatar um vazio existente e que têm tido uma ocupação bastante interessante.
O Museu Cargaleiro instalado no Solar dos Cavaleiros um edifício de meados do século XVIII e que vindo a tornar-se um espaço de grande referência cultural, da Cidade de Castelo Branco.
E tantos outros empreendimentos de carácter cultural que foram enriquecendo a oferta da cidade, nesta área, e cujo símbolo maior, é sem dúvida, o Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco.
Mas como a modernidade está globalmente interligada com a economia, outras medidas foram desenvolvidas ao longo de parte destes últimos anos nomeadamente no que diz respeito à actividade empresarial dotando a zona industrial cada vez mais de infra-estruturas que a modernizassem, que a tornassem uma efectiva ferramenta na estrutura, económica da Cidade.
Chegados aqui esperar-se-ia que estas alterações e infraestruturas devolvessem, à cidade, alguma da pujança económica que alcançou nos anos 50 e 60.
Quem não se lembra da fama que a Metalúrgica possuía no mundo industrial, nomeadamente na região de Lisboa e que morreu aos pouco e hoje desaparecida. A cidade que adoptei e que creio também já me adoptou, era à data muito diferente?
Fala-se muito em conseguir-se captar investimento e criar emprego. Bem necessários, aliás.
Que me lembre, nos anos posteriores à primeira fase da zona industrial, muito pouco investimento reprodutivo se conseguiu.
Hoje quem quer ver investimento na zona industrial, só o vê nas áreas, comercial, no call center, um mal menor dirão muitos, mas que não traz riqueza nem emprego sustentável.
Esta estratégia desenvolvida ao longo dos últimos anos, só possível porque os albicastrenses acreditaram e premiaram em vários actos eleitorais autárquicos, não só as políticas mas essencialmente as pessoas numa simbiose perfeita entre os cidadãos e aqueles que são os seus legítimos representantes, mas sem qualquer marca de sustentabilidade em termos de modernidade e projecção do futuro, nada tem oferecido à cidade e aos albicastrenses, desmobilizando pessoas para outras paragens, nacionais e estrangeiras.
E porque relembrar o passado não faz sentido sem uma perspectiva de futuro importa agora olhar em frente por breves momentos.
Em relação ao futuro são muitos os desafios que a Cidade de Castelo Branco e o concelho enfrentam.
Darei deles só um exemplo!
Apostar na cultura sim, mas obrigatoriamente, com um programa de desenvolvimento turístico coordenado e sustentável, que passa, sem margem para dúvidas, por uma oferta de mais camas, em número e qualidade.
O concelho está a perder terreno, a este nível, para outros concelhos vizinhos, nomeadamente do norte do distrito, Fundão e Covilhã.
Nestas coisas não basta dizer que se está a pensar fazer, é urgente, porque a concorrência de outros territórios, não perdoa. É urgente e necessário fazer!
Tempos houve em que Castelo Branco parecia liderar o distrito. Agora sente-se que está a ficar para trás, esperemos que não irremediavelmente.
Castelo Branco tem de ser conhecida por ser uma Cidade das Pessoas e não as pessoas de uma cidade.
E lá se passou mais um aniversário sem brilho nem glória!

*José Lagiosa, director beiranews.pt

 
 
 
 
 
 
 
 

Leave a Reply

- Advertisment -

Most Popular

COMENTÁRIOS RECENTES

Paula Alexandra Farinha Pedroso on Elias Vaz lança livro sobre lendas e mitos de Monsanto
%d bloggers like this: