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Defender o 25 de abril, sempre!

Assinala-se, daqui a três dias, o quadragésimo quarto aniversário de um acontecimento que ficará indelevelmente marcado na história de Portugal, na memória dos portugueses e na história de outros países e povos que, outrora, pertenceram a um Império decadente, suportado por um regime caduco que sacrificou, em nome de uma ideia ultrapassada e bafienta – e apenas para proveito de alguns -, um conjunto de valores que sustentam as nossas convicções mais profundas.

José Lagiosa

“Quis saber quem sou, o que faço aqui”.
Foram estas as dúvidas que assolaram a mente de muitos, mas também as palavras que deram o mote à razão de estarmos aqui hoje, 44 anos depois daquele que foi, o primeiro dia do resto das nossas vidas!
Era madrugada de 25 de Abril de 1974, e o que foi, não voltou mais a ser. Portugal respirou Liberdade! Liberdade que, como todos sabemos, constitui um pilar essencial da Democracia.
Foi há 44 anos atrás que o Capitão Salgueiro Maia e todos os que o seguiram, fizeram com que fosse possível vivermos hoje, independentemente da nossa faixa etária ou ideologia, podendo partilhar livremente opiniões e, acima de tudo, poder celebrar com altivez o patriotismo que nos abrange e tanto nos honra.
Foi a determinação e o inconformismo daqueles destemidos homens, que nos abriu as portas da Democracia. E é graças aos Capitães de Abril que, com muito orgulho, posso dizer que sou livre! Livre para ser quem sou! Livre para escolher o que faço e o que quero fazer aqui!
Por isso mesmo, o 25 de Abril não pode ser apenas recordado como uma efeméride. O 25 de Abril é a efeméride! É a Revolução dos Cravos! É o momento a partir do qual ganhámos o direito que me permite hoje, o direito à liberdade de expressão!
Contudo neste exercício legítimo de liberdade, deve também estar presente a noção de responsabilidade.
Cada um de nós tem de assumir a responsabilidade daquilo que diz e daquilo que faz em nome da liberdade.
Felizmente, agora, o direito mas também o dever de escolher o rumo que queremos seguir, assiste-nos.
Temos a possibilidade de fazer opções. Cada indivíduo sabe o que é melhor para si, fazer as suas escolhas, consoante a sua própria consciência, não estando obrigado a ceder a pressões de terceiros.
A Revolução dos Cravos deixou-nos esse legado, o livre arbítrio.
Em cada um, uma forma de pensar, de agir, uma escolha verdadeiramente pessoal.
O 25 de Abril foi feito para terminar com as enormes desigualdades de que a sociedade portuguesa padecia. Foi feito para fazer com que as classes mais desfavorecidas passassem a ser menos desfavorecidas, foi feito para se construir uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária.
No entanto após 44 anos temos que concluir que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é cada vez maior.
Portugal atravessou, nos últimos 5/6 um dos momentos mais difíceis da sua História recente.
A uma crise económica e financeira de novos contornos e com uma dimensão nunca vista, provocada por aqueles que com ela ganharam, Portugal afastou-se, ainda mais, dos desígnios de Abril.
Os Portugueses, sofreram e de certo modo continuam a sofrer, na pele as políticas de austeridade, custe o que custar, impostas por um Governo que se apressou a impor políticas neoliberais, comandadas pela troika depois de terem escolhido, nas urnas, a irresponsabilidade de quem aposta no desmantelamento do Estado Social pondo em causa princípios tão fundamentais como a universalidade da educação e um serviço nacional de saúde de qualidade, sem que a recuperação tenha um vislumbre de uma recuperação eficaz.
Passados três anos das últimas eleições legislativas, a reversão eleitoral desta situação não se tem traduzido, na prática, em alterações substantivas para além do discurso propagandista.
É tempo de dizer basta.
A participação de todos é imprescindível! Há que cumprir afincadamente os nossos deveres, fazendo valer os nossos direitos, nunca esquecendo quem tanto lutou por eles. É imprescindível fazer renascer Abril. É imprescindível coragem para enfrentar o presente e projetar um futuro de esperança e desenvolvimento, o último D de Abril que está ainda por cumprir na sua plenitude.
É pois fundamental que nós, os mais velhos, os que um dia já estiveram privados do seu bem mais precioso, a liberdade, não permitam nunca que nos esqueçamos como já foi um dia. Para que vós, os mais jovens, possais impedir que tal volte a acontecer.
Porque tal como as flores, e não fosse um cravo o símbolo máximo deste dia, a Liberdade precisa de ser cuidada, precisa de ser “regada”; com novas ideias, com novas intervenções, com novas atitudes! Seja bem-vindo quem vier por bem!
Não podemos deixar o cravo murchar!

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 
 
 
 
 
 
 
 
 

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