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Incêndios: Choque e medo são reações normais nestas situações

A responsável pelo Centro de Apoio Psicológico e Intervenção em Crise do INEM explica que uma catástrofe com a dimensão dos incêndios de 2017 provoca reações normais, como o choque ou o medo, perante uma situação anormal.

“São reações normais, perante uma situação anormal, como o choque, a vulnerabilidade, a revolta, o sentido de perda, a ansiedade ou o medo. Todos nós temos esta capacidade racional”, afirmou à agência Lusa Sónia Cunha.

Esta responsável adiantou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) dispõe de unidades móveis de emergência, meios que são acionados em situações do foro psicossocial.

“Foi o que aconteceu nos incêndios, com equipas a serem acionadas, com maior destaque para Pedrógão Grande, mas também para os incêndios de outubro. Numa primeira fase, de alarme ou emergência, há uma reação aguda ao stress até 72 horas após o acontecimento”, disse.

Numa primeira fase, quando é detetada uma necessidade, o papel dos técnicos do INEM é perceber as necessidades mais imediatas, ou seja, é feita uma avaliação que se estende também aos recursos disponíveis, o seu acionamento.

A partir daí, estabelece-se uma colaboração com os centros de acolhimento e é feita uma triagem dos casos, quer ao nível da comunidade afetada, quer dos casos individualmente.

“As reações mais intensas são identificadas e encaminhadas para as unidades de saúde locais. É muito importante esta primeira abordagem mais precoce e a sinalização. Após esta intervenção, continuamos a fazer o contacto telefónico e a avaliar a evolução. Os maiores impactos surgem de situações em que há a perda de alguém, a perda de bens e, depois, em situações que já há uma patologia”, disse.

Sónia Cunha sublinhou ainda que, nos casos de morte, os técnicos tentam estar sempre presentes na notificação da notícia, uma situação que considera fulcral em todo o posterior desenvolvimento.

Já o padre José António realçou o papel que a Igreja teve nos incêndios de 2017.

“Esteve sempre empenhada no terreno, nomeadamente através das equipas da Cáritas”, disse.

O pároco ‘in solidum’ de S. Miguel da Sé de Castelo Branco, S. José Operário e Benquerenças abordou ainda o papel da Igreja ao nível da dimensão lutuosa.

“A Igreja responde com vários meios, nomeadamente através do acompanhamento espiritual dessas pessoas. Além disso, há as próprias vivências no seio da Igreja que vão ajudando a fazer o luto. Há ritmos de luto que são comunitários”, sublinhou.

A psicóloga clínica Patrícia Bernardo explicou que os incêndios que assolaram o distrito de Castelo Branco em outubro de 2017 criaram situações de crise e de emergência, e que existiram reações emocionais muito intensas, sendo que a grande maioria dessas manifestações foram consideradas como compatíveis com o momento traumático vivenciado.

“Estas situações traumáticas [incêndios] traduziram-se em verdadeiras tragédias, crises ou dramas humanos, justificando a preocupação de se levar em conta os aspetos de atenção à saúde física, às perdas materiais, e, também, entender a aflição e as consequências psicológicas decorrentes das mesmas”, frisou.

A psicóloga explica que o conjunto de pessoas afetadas pela situação traumática tem vindo a tentar ao longo destes seis meses elaborar um processo de luto ou seja uma forma de ultrapassar a crise em que se viram envolvidas.

“Numa primeira fase, diante do evento traumático, os indivíduos apresentaram uma desordem decorrente das reações iniciais diante do impacto. Após esta desordem, passaram para a etapa de negação, na tentativa de amortecer o impacto. A terceira etapa é a da intrusão, que consiste no surgimento de ideias involuntárias de dor pelo evento verificado. Pesadelos recorrentes, imagens e outras preocupações são características desta etapa”, afirmou.

Nos casos em que há perda de vidas, Patrícia Bernardo explica que no trabalho de elaboração do luto espera-se que os indivíduos evoluam para a elaboração, fase em que a pessoa começa a expressar, identificar e comunicar os seus pensamentos, imagens e sentimentos experimentados pela situação de crise.

“De certo modo, é a fase em que se encontram a grande maioria dos lesados nos incêndios de que foram vítimas. Alguns conseguem elaborar os seus sentimentos, enquanto outros somente o farão com uma ajuda externa, como por exemplo o apoio médico, psicológico, de enfermagem e social”, disse.

Por fim, explica que surge o término, o momento em que o indivíduo integra o evento dentro da sua vida, após enfrentar a experiência e em que os sentimentos e pensamentos estão identificados, possibilitando, assim, que a pessoa se reorganize.

*Lusa / Foto: INEM

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