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António Costa demarca-se do Bloco e defende que Eurogrupo reforça a liberdade em Portugal

O primeiro-ministro demarcou-se hoje da contestação do Bloco de Esquerda aos constrangimentos financeiros exigidos pelo Eurogrupo, contrapondo que não concebe a atual democracia e a liberdade num quadro em que Portugal esteja fora da União Europeia.

António Costa falava aos jornalistas nos jardins da residência oficial do primeiro-ministro, no início da festa das comemorações do 25 de Abril, depois de confrontado com as críticas feitas pelo Bloco de Esquerda sobre o alegado caráter antidemocrático do Eurogrupo e sobre a situação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A deputada do Bloco de Esquerda Isabel Pires observou esta manhã, no parlamento, que a palavra liberdade não rima com Eurogrupo. E António Costa optou por recorrer à ironia, tomando à letra aquela expressão, para concluir que, de facto, aquelas duas palavras não rimam.
“Como é evidente, Eurogrupo não rima com liberdade, mas fortalece a liberdade”, respondeu.
Já na parte política da sua resposta, o primeiro-ministro contrapôs a essa tese do Bloco de Esquerda de que “já ninguém consegue conceber a liberdade e a democracia em Portugal fora do quadro da União Europeia”.
“O que seria negativo era estarmos na União Europeia sem termos uma voz ativa. Hoje, a presidência do Eurogrupo [pelo ministro das Finanças, Mário Centeno] não é um problema para Portugal, mas, antes, uma vantagem para o país”, sustentou.
Para António Costa o facto de Mário Centeno presidir ao Eurogrupo, “significa o reconhecimento da credibilidade de Portugal com a atual solução política”.
“Veja-se o receio que muitas correntes de opinião tinham antes em relação a esta solução política suportada pelo PCP, PEV e Bloco de Esquerda. Afinal, provou-se que se cumpriu a devolução de rendimentos e criaram-se melhores condições para o investimento com finanças públicas mais saudáveis”, argumentou.
Na perspetiva do primeiro-ministro, a presidência do Eurogrupo “é um prémio à credibilidade da atual solução governativa e também uma responsabilidade de Portugal ao nível da sua influência na Europa”.
“Quando está finalmente na ordem do dia a reforma da zona euro, termos aos comandos desse debate um português, que é o nosso ministro das Finanças, acho que isso é positivo para Portugal. Sem a reforma da zona euro – que é um processo difícil, já que há 27 Estados-membros com posições distintas – haverá sempre maiores dificuldades para o nosso desenvolvimento”, vincou.
Em relação ao SNS, António Costa disse ter ouvido pela voz da deputada do Bloco de Esquerda Isabel Pires “um grande elogio ao legado do Governo socialista de Mário Soares e de António Arnaut”.
“Ao longo destes anos tem sido feito um grande trabalho para defender e reforçar o SNS, que tem sido agora mais difícil depois de muitos anos de desinvestimento. Temos reforçado meios humanos, adquirido novos equipamentos e reduzido as taxas moderadoras. Não se conseguiu ainda resolver todos os problemas, mas penso que se caminha no bom sentido”, defendeu o primeiro-ministro.
*Lusa / Foto: JOSÉ SENA GOULÃO

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