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BeiraNews | Outubro 23, 2018

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Festival Literário, que futuro lhe vai a autarquia reservar?

Festival Literário, que futuro lhe vai a autarquia reservar?
José Lagiosa

Terminou a primeira parte da edição de 2018 do Festival Literário de Castelo Branco de seu nome Fronteira.

Três dias nas escolas do concelho com assinalável êxito, fruto de uma programação cuidada, à semelhança de anos transactos.

José Lagiosa

Curiosamente a sessão na Biblioteca Municipal albicastrense, este sábado, foi na minha opinião, que assisti e acompanhei  todas as cinco edições anteriores, a que reuniu o menor número de cidadãos desta cidade.

Estariam pouco mais de três dezenas de pessoas a assistir às duas mesas de debate e à entrevista de Filipa Melo.

Importa escalpelizar as razões para tão pequena assistência, tanto mais que falava-se dos vinte anos da atribuição do Prémio Nobel, a José Saramago.

A programação pareceu-me adequada à temática, o naipe de autores era de qualidade inquestionável e pese embora pequenos ajustamentos realizados sobre a programação inicialmente anunciada, por razões imponderáveis, nada justifica esta aparente apatia dos cidadãos de Castelo Branco.

Então o que se terá passado? Primeiro que tudo a coincidência, ou não, da marcação do Festival para o fim de semana da tradicional Senhora de Mércoles, depois algum, pelo menos aparente, desinvestimento da Câmara Municipal em termos de divulgação publicitária, com a inexistência dos habituais cartazes colocados pelos estabelecimentos comerciais da cidade, bem com nos órgãos da comunicação social.

Claro que tudo isto foi acompanhado de uma apatia noticiosa, os jornais da região limitaram-se a dar nota da conferência de imprensa de apresentação do evento, com exceção do Beiranews.pt, Media Partner Principal, que fez jus a essa condição e deu cobertura alargada ao festival.

Para cúmulo desta apatia, nem na sessão de sábado, foi possível ter outros que não o Beiranews e honrosamente o Semanário Expresso.

Esta situação é, no mínimo, estranha.

Numa autarquia onde a cultura, é uma bandeira, seja pelas instalações, seja pelos inúmeros eventos organizados, seja ainda pela qualidade da programação do Cine Teatro Avenida, estranha-se o que aconteceu com esta edição do Fronteira.

Claro que ainda vamos ter daqui a um mês, 15 de maio, o encerramento do festival com a entrevista de vida “Nobel, uma viagem a 1998” com uma convidada, porventura um momento único, “Pilar del Rio a ajudar-nos a viajar até ao dia em que o anúncio da Academia Sueca mudou substancialmente a sua vida e a história d literatura de língua portuguesa”.

Esperemos para ver, qual feira de vaidades, a “multidão” que vai aparecer então.

Neste momento, importa contudo questionar a autarquia sobre o que queremos no futuro. Um festival que projecte a cidade no plano literário na região, no país e na vizinha Espanha ou se pelo contrário queremos transformar o Fronteira em mais um festivalinho.

A bola está do lado dos responsáveis autárquicos.

Nós cá estaremos para continuar a dar a dignidade mediática que a Literatura merece, a apoiar a equipa da Booktailors, a cada ano que passa, e já são seis, com mais empenho, dedicação e amor à cultura.

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 

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