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Segunda-feira, Março 8, 2021
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Política, Ética e Legalidade

A República está doente. Moribunda, direi mesmo!
A falta de ética, a falta de legalidade em muito ou quase tudo do que se passa, nos dias de hoje, na República é perigosamente preocupante e muitos dos atores da cena política nacional, perverteram esses princípios basilares da ordem política em Portugal.

José Lagiosa

Esta degradação da qualidade da democracia portuguesa, porque é disso que se trata, põe em risco o bom funcionamento das instituições, a começar pelo próprio Parlamento que, devia ser o exemplo a seguir, mas que afinal é antes um inspirador da mixórdia em que se transformou o país, os políticos e a própria democracia.
E não se pense que isto se passa somente nos meandros do Poder Central. Não! A teia foi montada, ao longo dos anos, e hoje alarga-se até aos mais recônditos lugares deste rectângulo à beira mar plantado.
É triste, depois de quarenta anos de ditadura fascizante, e passados que são 44 anos sobre a libertação levada a cabo pelos Capitães de Abril, olharmos à nossa volta e tomar consciência do estado a que chegou a nossa democracia e à falta de pudor a que se assiste por parte da esmagadora maioria dos atores políticos espalhados de norte a sul, de oeste a este, do litoral ao interior.
Sob a capa de grandes estadistas nacionais ou tendo criado a imagem de irrepreensível de grandes obreiros do desenvolvimento das regiões, interior incluído, o que constatamos é que muitos desses atores políticos, alguns deles com cerca de quatro dezenas de anos no ativo, têm afinal servido quem os elegeu, servindo-se.
É triste e lamentável. Afinal andamos, desde Abril de 74, a votar nos novos “ditadorezinhos” encapotados de democratas que com o nosso voto se sentem donos disto tudo.
Estamos a cerca de um ano das legislativas e Europeias de 2019 e a um pouco mais de distância de novas autárquicas e presidenciais, no entanto, começa a ser tempo de pelo menos a nível das eleições de carácter estritamente nacionais, as europeias são outra história infeliz mas não dependem exclusivamente dos portugueses, antes pelo contrário, os eleitores portugueses deixarem de sistematicamente passarem a dar bitaites nas redes sociais e passem efectivamente a participar nas decisões colectivas da nação, votando massivamente.
Este apelo, se com efeitos práticos, permitiria sanear a actual composição da estrutura política e partidária que existe, colocando um travão, senão um ponto final, lá contínuo sempre optimista, da degradação da qualidade da nossa “democracia” e dos seus agentes políticos.
Seja em que lugar deste país for, há sempre, infelizmente, alguém a quem é possível apontar o dedo, mesmo quando muitos acreditariam que isso seria tarefa impossível ou muito difícil.
Também já houve um tempo que era minha convicção esta premissa. Infelizmente com o passar do tempo, fui forçado a constatar que até os mais populares, e aparentemente insuspeitos, têm telhados de vidro.
Sempre ouvi dizer que o poder, logo a política, corrompe. Sempre quis acreditar que essa era a exceção, não a maioria. Hoje, infelizmente, fui forçado a alterar, a minha convicção e opinião.
A política, provoca nos seus agentes, regra geral, sentimentos que contrariam tudo aquilo em que eventualmente acreditavam, passando a esquecer a ética e a legalidade, essenciais ao bom funcionamento das regras da política na República.
O caminho não é fácil. Os obstáculos ao longo do percurso serão enormes, à dimensão dos desvios que se foram concretizando o longo dos anos.
Aliás um dos exemplos mais recentes e mais demonstradores disso mesmo, foi dado pelo PS há pouco mais de três anos, com a forma como o actual primeiro ministro chegou à liderança do partido. Com tudo menos com ética!
No entanto e apesar dos obstáculo, continuo republicano, laico e socialista, pese embora órfão do actual sistema partidário.
Só assim posso fazer política, com ética e legalidade, nesta República moribunda à procura de caminhos para melhores dias.
Viva uma Nova República!

*José Lagiosa, diretor do beiranews.pt

 
 
 

 
 

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